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Fumo e bebo porque meus “brotheres” fazem isto
Um dos mais
poderosos fatores predisponentes ao uso de substâncias é a influência do
grupo de iguais. Um adolescente cujos melhores amigos usam o fumo, o álcool
e outras drogas será mais facilmente levado a experimentar do que aquele
cujos amigos evitam as drogas e não estão de acordo com seu uso.
Por Marco Monteiro
A
maioria ou quase todos os textos que falam sobre uso de drogas por
adolescentes fazem ressalvas e orientam os pais para terem atenção e coibir
os filhos desta prática.
Entretanto, na maioria dos casos de adolescentes que fazem uso do álcool,
cigarro ou da maconha, trazem esta experiência de casa.
FOTO: Marco Monteiro
As
pesquisas têm apresentado que pais que não fumam e não bebem dificilmente os
filhos terão tais hábitos de fumarem e beberem. Diferentemente dos pais que
levam desde cedo os filhos para bares e fumam na presença deles, estão
abrindo uma opção para que os filhos tornarem-se usuários destes produtos
nocivos à saúde. Consciente ou inconscientemente, os pais dão subsídios
comportamentais aos filhos que traçam uma linha mestra de comportamento
associativo, que para uma pessoa viver bem tem que fumar ou ingerir bebidas
alcoólicas. Outra estatística aponta as influências das amizades. Os
adolescentes fumam por pressão dos iguais, por curiosidade, por imitação,
como manifestação de independência, rebelião, ou com a intenção de fazer uma
“figura importante”.
Todos
os estudos, a despeito de peculiaridades locais, evidenciam invariavelmente
que o álcool é a droga mais utilizada pelos adolescentes, seguida à
distância por tabaco, inalantes e medicamentos psicotrópicos.
Em último plano aparecem
as drogas ilícitas, como a maconha e a cocaína. Levantamento sobre uso de
drogas entre estudantes de 1º e 2º graus em 10 capitais brasileiras (dados
do CEBRID – Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas da
Escola Paulista de Medicina), informa que, em 1993, entre os estudantes de
10 a 16 anos:
-
80,5% usaram álcool,
pelo menos uma vez na vida; 18,6% usaram frequentemente. (seis ou mais
vezes nos trinta dias anteriores à pesquisa).
-
28% usaram tabaco,
pelo menos uma vez na vida; 5,3% frequentemente.
-
22,8% usaram drogas
psicotrópicas, pelo menos uma vez na vida; 3,1% frequentemente.
Os pais e demais adultos
habitualmente supõem que o dano maior para o indivíduo seja de heroína,
cocaína e outras drogas “fortes”. De fato, tais drogas são danosas, mas o
uso é muito raro entre os adolescentes, comparado ao de outras substâncias,
também prejudiciais, como o fumo, o álcool e a maconha.
O fumo, em longo prazo, é
responsável por maior número de doenças e perda de anos de vida do que todas
as demais drogas somadas. O álcool encontra-se implicado em mais da metade
das mortes de jovens em acidentes automobilísticos. A maconha interfere na
memória e na aprendizagem.
O fumo, o álcool e as
drogas ilícitas devem, portanto, ser considerados de risco e,
potencialmente, substâncias de abuso.
Dez dicas para um
adolescente não fazer uso de drogas:
-
Quanto mais cedo um
adolescente inicia o uso de uma substância, maior é a probabilidade do
aumento na quantidade e na variedade do uso;
-
Os adolescentes são
comumente menos capazes de limitar o uso do que os adultos;
-
A experiência hoje é
muito diferente do passado: o número de experimentadores é maior, surgem
novas substâncias e combinações cuja sintomatologia se confunde. Além
disso, as substâncias conhecidas são diferentes; por exemplo, a maconha
nos anos 70 continha menos de 0,2% de THC (Delta 9 – tetrahidro –
canabinol) e 20 anos após contém uma média de 6%, chegando a 14%;
-
O uso ilegal constitui
um delito;
-
O jovem atribui à
droga a solução de todos os seus problemas;
-
No início do não há
sinais e sintomas que os levem à consulta, eles aparecem como
consequência do abuso e da dependência. Por isso, no começo é difícil
que aceitem ajuda;
-
Quando há sintomas, o
trabalho de reabilitação é difícil e frustrante, sendo baixo o índice de
recuperação nos diferentes programas que trabalham com adictos;
-
Os resultados dos
levantamentos apresentados revelam objetivamente que estamos frente a
uma doença grave, e a única forma de não adquiri-la é a prevenção.
-
As empresas produtoras
de cigarros, na busca de fumantes “substitutos” (dos adultos que deixam
de fumar ou morrem devido a complicações do fumo), conhecem as
motivações e estimulam o uso através de modelos juvenis atraentes em
ações e paisagens excitantes.
-
Consomem álcool porque
“todo mundo bebe”, “eu gosto, é divertido”, “ajuda-me a relaxar”,
“tira-me a timidez”, “estou mal, serve-me para escapar do sofrimento”,
“por que não, além do mais nem bebo tanto”. São os argumentos mais bobos
que existem para alguém justificar-se diante das drogas.
Todos os adolescentes
se encontram em situação de risco
- O fumo, o álcool e as
drogas estão disponíveis e, a maioria dos jovens são objetos de pressão para
o início de seu uso. Sem dúvida, alguns adolescentes estão em maior risco do
que outros. Os três fatores mais importantes, repito, são a história
familiar, o uso de drogas por parte dos pais e certas características
individuais.
A história familiar de
alcoolismo indicaria uma predisposição genética, teoria sustentada em
estudos de filhos adotivos. Não só é fator de risco o uso por parte dos
pais, mas a atitude, a educação e as medidas disciplinares inconsistentes
com relação ao uso de substâncias aos seus filhos.
Quando uma família está
socialmente isolada é maior o perigo de uso de substâncias e aumenta o
índice de abuso físico e sexual ou de fuga do lar. Outros fatores familiares
predisponentes são o estresse causado por uma separação, divórcio, novas
uniões conjugais, desemprego e doença ou morte de um dos pais.
Quadro 1 : Fatores de
risco
-
Pai ou parente próximo
com abuso de substâncias ou dependência química
-
Fracasso ou
dificuldades escolares
-
Baixo nível de
auto-estima
-
Personalidade
agressiva ou impulsiva
-
Instabilidade
familiar, falta de supervisão
-
Miséria
-
História de abuso
físico e sexual
-
Distúrbios
psiquiátricos, especialmente depressão, bulimia e distúrbios de atenção
Diante do exposto e do livre arbítrio
fica por sua conta moleque, se você vai continuar se drogando ou não.
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