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A ilusão de ser um atleta patrocinado

 

Por Marco Monteiro

 

Um competidor não sai do nada saber para as vitórias que o leva ao topo do pódio. Para colher os louros da glória é preciso muito trabalho e sacrifício durante as sessões de treinamentos. Colocar somente um adesivo no bico de uma prancha e sair por aí desfilando, não basta, não leva ninguém ao pódio. É pura vaidade.

Costumo ver toda hora um garoto que mal começou a surfar (ficar em pé numa prancha), querendo participar de competições e pedindo patrocínio, como se uma competição fosse uma ida ao cinema ou coisa que não lhe oferecesse nenhum esforço ou preparação técnica, tática, psicológica etc.

Até mesmo para alguém ir a um cinema ver um filme, cujo o idioma não é português, é preciso antas ir a uma escola estudar para poder ler a legenda ou compreender a língua inglesa, caso contrário, o indivíduo só ficará olhando as belas cenas e os lances do filme, sem saber o que os artistas estão falando.

Assim são os garotos que se aventuram a participarem de uma competição de surfe sem terem tido, sequer na vida, uma aula prática com um professor de surfe para orientá-los como proceder corretamente antes, durante e após a competição.

Os "surfes treinos" deveriam pelo menos fazerem jus ao nome.

Diferentemente de um praticante de qualquer outra modalidade esportiva, que treina bastante, antes de aventurar-se a participar de uma competição. Veja por exemplo o garoto do filme Karate Kid.

A evolução da educação física nas últimas décadas têm criado métodos eficientes na preparação técnica, tática e no rendimento dos atletas, proporcionando um certo nivelamento do rendimento desportivo. Veja por exemplo, os jogadores de futebol, basquete, voleibol, atletismo, natação enfim, todas as atividades desportivas não fugiram a estar tendência. Hoje, o atleta por mais hábil que seja, tem que estar também preparado, porque ele não pode depender somente de sua aptidão, ou seja, sua habilidade para superar os adversários, caso contrário, será sempre um atleta de baixo rendimento fundamentado apenas em seus recursos naturais. Este último, acompanhado por um bom condicionamento físico, técnico e tático é o que fará a diferença do atleta e devido a este item, ela sagrar-se-á campeão.

Então, como pode um garoto querer competir sem o devido preparo, fundamentado somente no seu ego, teimando e tendo ao mesmo tempo, vergonha de submeter-se ao comando de um profissional, só porque os amigos dele não fazem tal trabalho?

Conheço muitos jovens portadores de grandes habilidades na prática do "free surf" mas, quando chegam numa competição são eliminados logo na primeira bateria. Isto acontece por causa da falta de rendimento e de resultados de complicados multifacetados esforços com a ênfase direcionada para as mais avançadas práticas tecnológicas que ajudam a preparar o atleta para a competição.

Enquanto existir vaidade e cabeça dura, não despontará grandes atletas no surfe em condições de igualdades com os atletas de outras regiões onde este trabalho de preparação existe. E aqueles poucos baianos que conseguiram algum título nacional, sinceramente, são uns heróis, porque deram muita sorte disputando com atletas, talvez, trabalhados especificamente para produzirem resultados de ponta.

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