Educação

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Educação vem de berço

 "Nunca esteve tão atual a frase “educação vem de berço”. Nunca foi tão necessária uma atuação consciente e enérgica dos pais na formação do caráter de seus filhos." Roberto Darte

 

Por Marco Monteiro

                                                                                                                                                       FOTO: Marco Monteiro

Ainda esta semana do mês de abril de 2011, conversava sobre educação de berço com alguém. Durante a conversa citei Yuri Motta, 16, (foto) como exemplo de um adolescente cheio de atitude, educação e respeito. E não foi preciso falar muito, porque a pessoa com quem eu conversava conhece ele e os pais dele.

 

Em verdade, a geração atual não tem culpa nenhuma deste processo decadente de educação. A culpa são dos pais dos pais desta nova geração e da televisão que passou a ser o principal desorientador da família com sua programação dirigida por pessoas desequilibradas emocionalmente e cheias de conflitos mal resolvidos.

 

A geração nascida nos anos 50, que é a minha, foi criada sob regime duro. A geração dos anos 60 e 70 ainda tiveram um base educacional, porém não tão sólida, pois a televisão já dava os primeiros incentivos anti-sociais, chegando a interferir nas atitudes das gerações dos anos 50, 60, 70, 80 e finalmente a degradação social abraçou a geração dos nos 90, principalmente com o surgimento da internet, todos nós perdemos parte dos valores morais, porque fomos corrompidos pela revolução tecnológica.

                                                                                                  Yuri Motta não é nenhum "santinho", mas conhece limites

 

Com este novo procedimento de conduta relaxada e sem consistência, o bem-estar coletivo (a segurança, o respeito e a ordem) foi deixado de lado.

 

Essa resumida constatação desencadeada começou a criar força no início dos anos de 1980, durante a transição do Regime Militar para os civis. O Existencialismo (corrente filosófica que ganhou força no século 20) tem como principal mote a teoria de que o ser humano é totalmente responsável pela sua existência. Ou seja, tudo que ele faz a si e ao outro é de sua inteira responsabilidade. Nesta perspectiva, e usando um ditado bastante popular, cada um colhe o que planta.

 

Os pais de Yuri Motta, por exemplo, não têm muito com o que se preocuparem com as atitudes do filho, pois ele foi educado para um convívio social sadio. Já outros pais que não deram seguimento ao processo de educação que receberam dos seus pais nascidos antes dos anos de 1950, e que tiveram uma existência movidos por drogas e vida boêmia etc., não conseguem, mesmo querendo, por os filhos nos trilhos. A maioria deles são filhos de mães solteiras ou não convivem com a família propriamente dita: pai e mãe.

Neste caso se aplica a tal educação de berço, que pode fazer a diferença ao longo de toda a vida.

 

Mas, quando os pais não tiveram berços, eles repassarão aos filhos os mesmos mal-hábitos e acham perfeitamente normal. São os principais violadores dos direitos dos filhos quando os levam para as mesas dos bares desde a mais terra idade, fumam em suas presenças, fazem sexo, brigam enfim, até incentivam os filhos a serem violentos desde cedo. Exemplo disso são as atitudes agressivas e o desrespeito com que uma criança ou um adolescente trata um professor, uma pessoas mais velha etc.

 

"Esse é um exemplo muito simples e corriqueiro, infelizmente, da falta de berço. Com a desculpa esfarrapada de que vale tudo para ajudar seus filhos, pais dão a eles o pior exemplo: o da falta de ética e de limites na trajetória que leva à realização legítima dos projetos de vida. Para uma criança ou um adolescente a lógica é simples: se meus pais dizem que certas atitudes são corretas, por que não praticá-las? Este é um dos pilares que dão base à perpetuação dos erros."

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