______________________________________________________________________________________________
HOME
A busca do equilíbrio
Por Marco Monteiro
Somos todos repetidores de condutas. Usamos produtos lançados
pela mídia, solicitamos serviços de especialistas, porque vimos
um anuncio dizendo que aquele é melhor ou porque outras pessoas
fazem coisas ou usam produtos de marca conhecida etc. Daí, nós
achamos que todos estes conceitos são os ideais para o nosso
bem-viver, acreditamos nisso e terminamos sendo prisioneiros
incondicionais do sistema sócio-cultural-econômico. Portanto,
viver e se comportar numa sociedade é uma competência que faz a
diferença no nosso sucesso profissional e pessoal.
Na educação física:
O grande desafio dos cientistas
que se aprofundam nas pesquisas, visa melhorar tecnicamente o
atleta como um todo no seu desempenho das atividades esportivas,
seja na preparação física, psicológica, nutricional ou na
elaboração de treinamentos específicos com uso ou não de
aparelhos. Está aí o desafio: fazer com que os atletas aceitem
orientações de um professor habilitado.
No surfe, o atleta vive buscando o equilíbrio em meio a toda
turbulência do ambiente altamente complexo, que é o mar.
Para isso, o surfista leigo, ou seja, sem a devida orientação de
um profissional da educação física, vive buscando informação
técnica assistindo filmes, exercitando-se de forma equivocada,
achando que está desenvolvendo a flexibilidade, a resistência no
mar e melhorando suas habilidades no surfe. Ledo engano.
Para que um atleta tenha um bom desempenho na competição ou no
“free surf” ele deve ser acompanhado por um profissional com
formação em educação física, visando a disponibilidade de um
treinamento específico e adaptado para cada situação. Isto
resultará na eficácia para a adaptação do surfista ao meio
ambiente, o mar. E ao mesmo tempo, conduzir o indivíduo sem que
ele perca a linha mestra que lhe caracteriza enquanto lazer ou
competição. Ou seja, a capacidade de manter em equilíbrio as
suas virtudes pessoais enquanto se reposiciona para aproveitar
as oportunidades e defender-se das ameaças do ambiente
competitivo, de lazer e ou social.
FOTO: Marco Monteiro
Na
foto, o garoto Luan (16 anos), desce numa onda pisando fora do
deck e com o outro pé, ele pisa mais próximo do bico da
prancha. O que está acontecendo? Alguém pode dizer que ele está
errado. Mas, isso não é um erro. É a busca pelo centro do
equilíbrio exigido pela biomecânica do movimento.
Este processo de pisar fora do deck e aproximar o outro pé para
o bico da prancha, elimina o movimento conhecido no mundo do
surfe como “mata barata”. Veja como o praticante de longboard
pisa no bico da prancha para aproveitar a onda.
Pisar mais próximo do bico da prancha e tirar o pé do deck
altera a dinâmica do deslocamento, dá velocidade e estabiliza a
prancha. Pouca gente sabe disso. Se você observar bem, verá nos
“clips” os surfistas profissionais descendo nas ondas grandes ou
médias totalmente deslocado para à frente e com as pernas
flexionadas.
Só percebe isso quem tem o conhecimento sobre biomecânica. Uma
ciência que estuda o movimento do corpo.
Entretanto, instintivamente, alguns garotos mais sensíveis
utilizam este recurso naturalmente sem o devido conhecimento
acadêmico, porque eles sentem-se mais estabilizados quando se
deslocam em cima da prancha buscando o centro de seu equilíbrio.
Surfistas com grande desempenho como Denis Tihara, Rudar
Carvalho, Demi Brasil, Leandro Parafina, Tito Cézar etc., pisam
na prancha toda, de proa a popa.
Já uma galerinha de novatos, quando vão passar parafina na
prancha fazem uma marca delimitando a área onde o pé vai ficar,
como se o surfista fosse obrigado a permanecer fixo naquele
local.
Este é um equívoco peculiar de um iniciante sem mestre. A falta
de orientação adequada atrasa o desenvolvimento do indivíduo em
formação. Desmotivado com o seu insucesso, ele termina
abandonando o esporte que gostaria de praticar, deixando escapar
uma excelente oportunidade de fortalecer seu corpo como um todo
através dos exercícios naturais da prática do surfe.