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Estudo
revela perfil de atleta surfista
Por Marco Monteiro
FOTO: Marco Monteiro

Um estudo
pioneiro foi realizado durante a segunda etapa do Circuito Onda
Viva dos Surfistas do Estado da Bahia,
para saber como os atletas de surfe se comportariam em
participar de uma competição sem a tradicional premiação (quites
de roupas ou acessórios), recebendo apenas medalhas.
Para dar
início ao estudo perguntou-se a vinte surfistas que vivem
focados em competições, com idade entre 13 e 30 anos, o que eles
acham mais importante na competição, se os quites com roupas e
acessórios ou as medalhas e os troféus.
A resposta
da maioria fundamentou-se no óbvio, medalhas e troféus.
A segunda
pergunte feita a eles: você participariam de uma competição
recebendo apenas como premiação medalhas ou troféus?
30% dos
entrevistados disseram que não participaria, a outra parte disse
que participaria, mas achava que deveria haver premiação além
das medalhas.
Fundamento
do estudo
O estudo
baseou-se em outras modalidades esportivas que não premia,
obrigatoriamente, o atleta vencedor a não ser com medalhas ou
troféus, os três primeiros colocados.
Nas lutas
marciais os atletas saem das competições cheios de hematomas,
mas voltam para suas casas felizes da vida levando uma medalha.
O mesmo
acontece no xadrez, no tiro ao alvo, no kart, no tênis, na
natação, no arco e flecha enfim, em todas as competições
praticadas individualmente o vencedor ganha sempre uma medalha
ou um troféu, enquanto que nas competições coletivas é dado um
troféu para toda a equipe ou às vezes uma medalha para cada um
dos componentes.
No futsal,
durante a temporada, a equipe vai acumulando pontos e somente no
fim do torneio é que o time campeão recebe um troféu.
Aplicativo
do estudo
Durante a
competição foram observados a conduta e o interesse individual
dos atletas, ficando comprovado que o atleta do surfe agiu de
duas maneiras distintas em relação à competição sem premiação.
Na
primeira observação ficou claro, que somente os atletas que se
consideram “profissionais”, mesmo sem ser, deixaram de
participar da competição que só ofereceu medalhas até o terceiro
colocado, porque eles perderam o espírito esportivo que foi
substituído, como fatores motivadores, as premiações em objetos
que se transformam em dinheiro logo após as competições.
Ainda
dentro desta primeira observação, constatou-se também que uma
parte dos atletas que se consideram de alta performance acharam
estranho a falta de premiações mas, mesmo assim, eles
participaram da competição sob protesto e, alguns, usaram como
argumento para camuflar a sua não participação, a taxa de
inscrição, dizendo que deveria ser bem menor, uma vez que não
haveria premiação.
Para
convencê-los, a organização do evento apresentou a justificativa
que, as despesas com a competição sem premiação são as mesmas
despesas de uma competição com premiação e alguns deles
terminaram convencendo-se e participaram do evento.
A segunda
observação comprovou que a maioria dos competidores, desta etapa
do Onda Viva, manteve o espírito de competitividade natural do
ser humano e sentiram-se felizes em vencer e ganhar uma medalha.
Notou-se
também que a competição não perdeu o clima tenso das reclamações
de alguns atletas que lutavam pelas primeiras colocações em suas
respectivas categorias.
Sintetizando o estudo, o atleta que se considera profissional
corre as competições amadoras em busca da premiação, seja ela
roupa, prancha ou acessório, mas no fundo ele é um frustrado
esportivamente falando, devido à falta de oportunidade para
participar de competições profissionais e viver dessa atividade.
Os demais
atletas que participaram da competição apresentaram um
comportamento meio profissional e meio amador ao que concerne ao
procedimento de seus desempenhos nas baterias, tipo procurar
saber as notas que receberam, questionaram a competência técnica
dos juízes, a forma de sorteio das baterias etc.
Ficou
nítido também que os atletas meio profissionais não gostam de
serem fotografados no pódio usando lycras com marcas que não
são de seus patrocinadores.
O estudo
constatou ainda, que o atleta surfista não é emocionalmente
diferente dos demais atletas de outras modalidades esportivas.
Mais uma
vez a educação física dando sua contribuição através de
pesquisas comportamentais para a evolução do esporte amador.
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* Marco
Monteiro tem três trabalhos realizados na Faculdade de Educação,
Departamento IV da UFBA - Universidade Federal da Bahia, onde
desenvolveu técnicas didático-pedagógicas para o ensino de
caratê a pessoas portadoras de cegueira. Didática de ensino de
Artes Marciais para crianças, jovens e adultos da terceira
idade. Os trabalhos foram publicados em dois livros: 1º livro,
Introdução à Didática das Artes Marciais, editado pela editora
Marchete em 1994 (BA) e o 2º livro, Como Ensinar Caratê a Cegos,
publicado pela editora Escala em 1998 (SP), com distribuição
nacional. Criou o Dia das Artes Marciais, Lei municipal nº
4.960/1994/BA.