E
a Orla Marítima de Salvador voltou a ser como antes dos anos de
1980, limpa e virgem, assim também era o surfe naquela época.
Vendo hoje a
orla sem barracas, logo lembrei dos anos 70: como eram lindas as
praias! Junto com a recordação veio também um desejo de ver o
surfe organizado com escolinhas constituídas em cada praia,
mesmo que levassem o nome de associações.
Contudo,
fico pensando: nesse momento de “transformação” da diretoria da
FBSurf, não seria a hora e a oportunidade de renovar e restaurar
administrativamente o surfe amador? Pois, este ‘esporte’,
tornou-se indecifrável em nossos dias. Ninguém sabe se ele está
“off” ou “out”?
É bom que a
galera nascida nos anos de 1990, fique sabendo que a Federação
Baiana de Surf, que foi fundada em 1978, passou décadas sem
registro em cartório. Isso só veio acontecer no ano de 1998.
Durante esse
período nada aconteceu porque as associações de surfe não se
organizaram e, por isso, a federação, que depende das
associações, não deslanchou como as outras federações esportivas
baianas.
Pois bem,
agora surge uma oportunidade de renovação, mas nada mudará se as
associações de surfe não se organizarem para garantir a
hierarquia das necessidades associativas.
A hierarquia
funciona assim: sócios (o surfista), associação (um grupo de
surfistas), federação (um grupo de associações), confederação
(um grupo de federações).
A base desta
pirâmide é quem dá a sustentabilidade a tudo, normatizando e
fomentando a federação. São as associações quem rege a federação
através das assembléias gerais etc.
Os
associados (surfistas), em assembleia geral, escolhem seu
representante, aquele que vai administrar as necessidades deles
e que vão eleger um presidente para gerir a federação.
O papel da
federação é centralizar os objetivos das associações e fazer o
intercâmbio entre elas. A confederação idem.
Com as
associações organizadas a federação vai poder administrar o
esporte segundo os interesses das associadas que, por sua vez,
representa os interesses dos seus associados (os surfistas).
Se a nova
diretoria da federação funcionar dessa maneira o surfe crescerá
ordenadamente conforme o processo hierárquico das necessidades.
Caso contrário, só verossimilhança existirá.
Entretanto,
existe um empecilho nesta história: um erro que iniciou há mais
de 30 anos. Ninguém quer filiar-se a uma associação. Isso virou
costume e nunca mais mudará. Tem-se então que encontrar outra
solução para cuidar da base do atleta.
Outra coisa:
acostumaram os atletas amadores a serem motivados pelas
premiações, quando deveriam
dar ênfase ao fator da
superação do indivíduo, de seus conflitos existenciais, suas
angústias, preconceitos, valores individuais e sociais tendo
como símbolo maior o troféu e não uma peça de roupa.
É através da
competição amadora que o indivíduo em formação fortalece seu
caráter e superando os seus limites através da prática
desportiva. Isto é básico.
A educação
física tem o papel fundamental da formação do indivíduo e,
através das associações ou escolas, tendo à frente um professor
graduado em educação física para passar esses valores, a
garotada bem saberia discernir o valor entre um troféu e uma
peça de pano.
Tem-se
percebido também que a quantidade de garotos que entram no surfe
de competição é relativamente igual a quantidade que abandona as
competições por falta de preparo teórico, técnico e prático, o
que comprova a teoria da falta de escolas e de professores
capacitados para conduzir o iniciante no surfe através de
métodos didáticos e pedagógicos a valorizarem o ‘ser’ e não o
‘ter’.
Além do
nosso desejo em ver a nova diretoria da FBSurf transcorrer de
forma lícita e produtiva, sugerimos ainda, como primeiro passo,
que convoque uma reunião com todas as entidades que se dizem
associações, até mesmo aquelas que só existem no mundo das
ideias para que, através de um consenso coletivo, organizem-se
em suas regiões, associem o maior número possível de jovens,
criem seus estatutos, registre-os em cartório, cadastrem-se nos
órgãos competentes para poderem conseguir patrocínios das
entidades privadas e governamentais, cobrem taxas dos
associados, recolham as taxas federativas para que a FBSurf
possa administrar os interesses coletivos.
Finalizando,
assim como a Carta Magna foi criada para proteger o povo dele
mesmo, o estatuto da associação e federação tem a mesma
incumbência.
O tempo
urge. É imperativo reformular o Estatuto da FBSurf. Como dois
corpos não podem ocupar o mesmo espaço, uma federação não pode
ser ao mesmo tempo amadora e profissional. E essa reforma do
estatuto deve ser feita em assembleia geral com participação das
associadas, atendendo os interesses dos associados (os
surfistas), que são a razão de tudo isso existir.