Os caminho Do Surfe

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                                                               FOTO: Marco Monteiro

E a Orla Marítima de Salvador voltou a ser como antes dos anos de 1980, limpa e virgem, assim também era o surfe naquela época.

 

Vendo hoje a orla sem barracas, logo lembrei dos anos 70: como eram lindas as praias! Junto com a recordação veio também um desejo de ver o surfe organizado com escolinhas constituídas em cada praia, mesmo que levassem o nome de associações.

 

Contudo, fico pensando: nesse momento de “transformação” da diretoria da FBSurf, não seria a hora e a oportunidade de renovar e restaurar administrativamente o surfe amador? Pois, este ‘esporte’, tornou-se indecifrável em nossos dias. Ninguém sabe se ele está “off” ou “out”?

 

É bom que a galera nascida nos anos de 1990, fique sabendo que a Federação Baiana de Surf, que foi fundada em 1978, passou décadas sem registro em cartório. Isso só veio acontecer no ano de 1998.

 

Durante esse período nada aconteceu porque as associações de surfe não se organizaram e, por isso, a federação, que depende das associações, não deslanchou como as outras federações esportivas baianas.

 

Pois bem, agora surge uma oportunidade de renovação, mas nada mudará se as associações de surfe não se organizarem para garantir a hierarquia das necessidades associativas.

 

A hierarquia funciona assim: sócios (o surfista), associação (um grupo de surfistas), federação (um grupo de associações), confederação (um grupo de federações).

 

A base desta pirâmide é quem dá a sustentabilidade a tudo, normatizando e fomentando a federação. São as associações quem rege a federação através das assembléias gerais etc.

 

Os associados (surfistas), em assembleia geral, escolhem seu representante, aquele que vai administrar as necessidades deles e que vão eleger um presidente para gerir a federação.

 

O papel da federação é centralizar os objetivos das associações e fazer o intercâmbio entre elas. A confederação idem.

 

Com as associações organizadas a federação vai poder administrar o esporte segundo os interesses das associadas que, por sua vez, representa os interesses dos seus associados (os surfistas).

 

Se a nova diretoria da federação funcionar dessa maneira o surfe crescerá ordenadamente conforme o processo hierárquico das necessidades. Caso contrário, só verossimilhança existirá.

 

Entretanto, existe um empecilho nesta história: um erro que iniciou há mais de 30 anos. Ninguém quer filiar-se a uma associação. Isso virou costume e nunca mais mudará. Tem-se então que encontrar outra solução para cuidar da base do atleta.

 

Outra coisa: acostumaram os atletas amadores a serem motivados pelas premiações, quando deveriam dar ênfase ao fator da superação do indivíduo, de seus conflitos existenciais, suas angústias, preconceitos, valores individuais e sociais tendo como símbolo maior o troféu e não uma peça de roupa.

 

É através da competição amadora que o indivíduo em formação fortalece seu caráter e superando os seus limites através da prática desportiva. Isto é básico.

 

A educação física tem o papel fundamental da formação do indivíduo e, através das associações ou escolas, tendo à frente um professor graduado em educação física para passar esses valores, a garotada bem saberia discernir o valor entre um troféu e uma peça de pano.

 

Tem-se percebido também que a quantidade de garotos que entram no surfe de competição é relativamente igual a quantidade que abandona as competições por falta de preparo teórico, técnico e prático, o que comprova a teoria da falta de escolas e de professores capacitados para conduzir o iniciante no surfe através de métodos didáticos e pedagógicos a valorizarem o ‘ser’ e não o ‘ter’.

 

Além do nosso desejo em ver a nova diretoria da FBSurf transcorrer de forma lícita e produtiva, sugerimos ainda, como primeiro passo, que convoque uma reunião com todas as entidades que se dizem associações, até mesmo aquelas que só existem no mundo das ideias para que, através de um consenso coletivo, organizem-se em suas regiões, associem o maior número possível de jovens, criem seus estatutos, registre-os em cartório, cadastrem-se nos órgãos competentes para poderem conseguir patrocínios das entidades privadas e governamentais, cobrem taxas dos associados, recolham as taxas federativas para que a FBSurf possa administrar os interesses coletivos.

 

Finalizando, assim como a Carta Magna foi criada para proteger o povo dele mesmo, o estatuto da associação e federação tem a mesma incumbência.

 

O tempo urge. É imperativo reformular o Estatuto da FBSurf. Como dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço, uma federação não pode ser ao mesmo tempo amadora e profissional. E essa reforma do estatuto deve ser feita em assembleia geral com participação das associadas, atendendo os interesses dos associados (os surfistas), que são a razão de tudo isso existir.

 

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