No Brasil, o sedentarismo é um problema que vem assumindo grande
importância. As pesquisas mostram que a população atual gasta
bem menos calorias por dia, do que gastava há 100 anos, o que
explica porque o sedentarismo afetaria aproximadamente 70% da
população brasileira, mais do que a obesidade, a hipertensão, o
tabagismo, o diabetes e o colesterol alto. O estilo de vida
atual pode ser responsabilizado por 54% do risco de morte por
infarto e por 50% do risco de morte por derrame cerebral, as
principais causas de morte em nosso país. Assim, vemos como a
atividade física é assunto de saúde pública.
Por que a
preocupação com o sedentarismo?
Na grande maioria dos países em desenvolvimento, grupo do qual
faz parte o Brasil, mais de 60% dos adultos que vivem em áreas
urbanas não praticam um nível adequado de exercício físico. Esse
problema fica mais claro quando levamos em conta os dados do
censo de 2000, que mostram que 80% da população brasileira vive
nas cidades.
Os indivíduos mais sujeitos ao sedentarismo são: mulheres,
idosos, pessoas de nível sócio-econômico mais baixo e os
indivíduos incapacitados. Observou-se que as pessoas reduzem,
gradativamente, o nível de atividade física, a partir da
adolescência.
Em todo o mundo observa-se um aumento da obesidade, o que se
relaciona pelo menos em parte à falta da prática de atividades
físicas. É o famoso estilo de vida moderno, no qual a maior
parte do tempo livre é passado assistindo televisão, usando
computadores, jogando videogames, etc.
Quais são
os benefícios da atividade física?
A
prática regular de exercícios físicos acompanha-se de benefícios
que se manifestam sob todos os aspectos do organismo. Do ponto
de vista músculo-esquelético, auxilia na melhora da força e do
tônus muscular e da flexibilidade, fortalecimento dos ossos e
das articulações. No caso de crianças, pode ajudar no
desenvolvimento das habilidades psicomotoras.
Com relação à saúde física, observamos perda de peso e da
porcentagem de gordura corporal, redução da pressão arterial em
repouso, melhora do diabetes, diminuição do colesterol total e
aumento do HDL-colesterol (o "colesterol bom"). Todos esses
benefícios auxiliam na prevenção e no controle de doenças, sendo
importantes para a redução da mortalidade associada a elas.
Veja, a pessoa que deixa de ser sedentária e passa a ser um
pouco mais ativa diminui o risco de morte por doenças do coração
em 40%! Isso mostra que uma pequena mudança nos hábitos de vida
é capaz de provocar uma grande melhora na saúde e na qualidade
de vida.
Já no campo da saúde mental, a prática de exercícios ajuda na
regulação das substâncias relacionadas ao sistema nervoso,
melhora o fluxo de sangue para o cérebro, ajuda na capacidade de
lidar com problemas e com o estresse. Além disso, auxilia também
na manutenção da abstinência de drogas e na recuperação da
auto-estima. Há redução da ansiedade e do estresse, ajudando no
tratamento da depressão.
A atividade física pode também exercer efeitos no convívio
social do indivíduo, tanto no ambiente de trabalho quanto no
familiar.
Interessante notar que quanto maior o gasto de energia, em
atividades físicas habituais, maiores serão os benefícios para a
saúde. Porém, as maiores diferenças na incidência de doenças
ocorrem entre os indivíduos sedentários e os pouco ativos. Entre
os últimos e aqueles que se exercitam mais, a diferença não é
tão grande. Assim, não é necessária a prática intensa de
atividade física para que se garanta seus benefícios para a
saúde. O mínimo de atividade física necessária para que se
alcance esse objetivo é de mais ou menos 200Kcal/dia. Dessa
forma, atividades que consomem mais energia podem ser realizadas
por menos tempo e com menor freqüência, enquanto aquelas com
menor gasto devem ser realizadas por mais tempo e/ou mais
freqüentes.
Como é feita a escolha da atividade física adequada?
A escolha é feita individualmente, levando-se em conta os
seguintes fatores:
• Preferência
pessoal: o
benefício da atividade só é conseguido com a prática regular da
mesma, e a continuidade depende do prazer que a pessoa sente em
realizá-la. Assim, não adianta indicar uma atividade que a
pessoa não se sinta bem praticando.
• Aptidão
necessária: algumas
atividades dependem de habilidades específicas. Para conseguir
realizar atividades mais exigentes, a pessoa deve seguir um
programa de condicionamento gradual, começando de atividades
mais leves.
• Risco
associado à atividade: alguns
tipos de exercícios podem associar-se a alguns tipos de lesão,
em determinados indivíduos que já são predispostos.
Atividade física
em crianças e jovens
Nesses grupos, além de ser importante na aquisição de
habilidades psicomotoras, a atividade física é importante para o
desenvolvimento intelectual, favorecendo um melhor desempenho
escolar e também melhor convívio social. A prática regular de
exercícios pode funcionar como uma via de escape para a energia
"extra normal" das crianças, ou seja, sua hiperatividade.
Atividade física em idosos
A falta de aptidão física e a capacidade funcional pobre são
umas das principais causas de baixa qualidade de vida, nos
idosos. Com o avanço da idade, há uma redução da capacidade
cardiovascular, da massa muscular, da força e flexibilidade
musculares, sendo que esses efeitos são exacerbados pela falta
de exercício.
Está mais do que comprovado que os idosos obtém benefícios da
prática de atividade física regular tanto quanto os jovens. Ela
promove mudanças corporais, melhora a auto-estima, a
autoconfiança e a afetividade, aumentando a socialização.
Antes do início da prática de exercícios, o idoso deve passar
por uma avaliação médica cuidadosa e realização de exames. Isso
permitirá ao médico indicar a melhor atividade, que pode
incluir: caminhada, exercício em bicicleta ergométrica, natação,
hidroginástica e musculação.
Algumas recomendações são importantes, e valem também para as
outras faixas etárias:
• Uso de roupas
e calçados adequados.
• Ingestão de grandes quantidades de líquidos, antes do
exercício.
• Praticar atividades apenas quando estiver se sentindo bem.
• Iniciar as atividades lenta e gradualmente.
• Evitar o cigarro e medicamentos para dormir.
• Alimentar-se até duas horas antes do exercício.
• Respeitar seus limites pessoais.
• Informar qualquer sintoma.
Atividade física
durante a gestação
É necessário a todas as gestantes um trabalho corporal a cada
trimestre da gestação, para facilitar a adequação às alterações
que ocorrem nesse período. Uma melhor capacidade
cardiorrespiratória facilita a realização das atividades
domésticas; uma melhoria das condições musculares e esqueléticas
ajuda na adaptação às mudanças posturais e no trabalho de parto.
Além disso, é de extrema importância a auto-estima, a
convivência com outras gestantes e os sentimentos de segurança e
de felicidade.
Os exercícios de ginástica garantem fortalecimento muscular,
protegendo assim as articulações e reduzindo o risco de lesões.
Ajudam também na oxigenação, na circulação e no controle da
respiração. Já os exercícios desenvolvidos na água favorecem o
relaxamento corporal, reduzem as dores nas pernas e o inchaço
dos pés e mãos.
Antes do início dos exercícios, a gestante deve passar por
consulta de pré-natal para ser avaliada pelo obstetra. Após a
realização dos exames ele poderá liberar ou não a prática de
exercícios. As mulheres que já praticavam atividade física e que
nunca sofreram aborto espontâneo, podem continuar as atividades
após adaptação para seu novo estado. Já aquelas sedentárias
devem iniciar os exercícios após a décima segunda semana de
gestação. Não havendo problemas, os exercícios podem ser
continuados até o parto, embora seja necessário reduzir a
intensidade aos poucos. Após o parto normal, as atividades podem
ser retomadas após 40 dias. No caso de cesárea, o médico avalia
cada caso.
As atividades físicas mais recomendadas às mulheres grávidas
são:
• Caminhada: é
muito bom para a preparação para o parto, já que melhora a
capacidade cardiorrespiratória e favorece o encaixe do bebê na
bacia da mãe. O ideal é caminhar 3 vezes por semana, cerca de 30
minutos.
• Natação: trabalha
bastante a musculatura. Atenção: apenas algumas modalidades são
liberadas durante a gestação.
• Hidroginástica: são
os mais indicados para as gestantes!
• Alongamento: ajuda
a manter a musculatura relaxada e o controle da respiração.
Considerações finais
Para finalizar devemos ressaltar que a prática de atividade
física deve ser sempre indicada e acompanhada por profissional
qualificado, incluindo médicos, fisioterapeutas e profissionais
de educação física. Caso sinta algo diferente é mandatório
informar ao responsável. Outro ponto importante, que não deve
ser esquecido, é a adoção de uma alimentação saudável, rica em
frutas, legumes, verduras e fibras. Prefira o consumo de carnes
grelhadas ou preparadas com pouca gordura. Evite o consumo
excessivo de doces, comidas congeladas e os famosos lanches de "fast-foods".
E lembre-se: beba muito líquido (de preferência água e sucos
naturais).
A atividade física consiste em exercícios bem planejados e bem
estruturados, realizados repetitivamente. Eles conferem
benefícios aos praticantes e têm seus riscos minimizados através
de orientação e controle adequados. Esses exercícios regulares
aumentam a longevidade, melhoram o nível de energia, a
disposição e a saúde de um modo geral. Afetam de maneira
positiva o desempenho intelectual, o raciocínio, a velocidade de
reação, o convívio social. O que isso quer dizer? Há uma melhora
significativa da sua qualidade de vida!
O que precisamos ressaltar é o investimento contínuo no futuro,
a partir do qual as pessoas devem buscar formas de se tornarem
mais ativas no seu dia-a-dia, como subir escadas, sair para
dançar, praticar atividades como jardinagem, lavagem do carro,
passeios no parque. A palavra de ordem é MOVIMENTO.