Organização

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Companheiros: cabe a mim, Marco Monteiro, o dever de levar aos senhores algumas informações sobre o termo "Brother" tão usado atualmente e muito mal empregado pela sociedade de adolescentes, jovens e adultos, achando que "Brother" é uma coisa quando, em verdade, é outra completamente diferente. Leia o texto e veja.

 

...manifestações lideradas por ativistas como Martin Luther e Malcolm X. ... O Movimento Black Power,  o movimento de chamarem-se de "brotheres" para se fortalecerem foi o resultado dessas ações sobre a mentalidade dos negros norte-americanos, que reagiram e se auto afirmando enquanto indivíduo e enquanto raça.

 

 

Os Revolucionários dos Direitos Civis nos EUA -      Malcolm X

 

por edi cavalcante

 

Malcolm X, nascido Malcolm Little, no dia 19 de maio de 1925 em Omaha, Nebraska, foi um grande ativista, defensor dos direitos civis dos negros  norte-americanos. Fundou a Organização para a Unidade Afro-Americana, defendia a autonomia completa aos brancos, inclusive economicamente e territorial, pois propunha a criação de um Estado. Seu pai, Earl Little, pastor Batista, foi assassinado pela Klu Klux Klan, e sua mãe, Louise Norton Little, cuidava da casa e de seus 8 filhos. Após a morte do marido, teve um colapso nervoso e anos depois, foi internada por insanidade. Em 1946, Malcolm foi preso e condenado a 10 anos de prisão. Com 7 anos cumprido, obteve condicional, e foi nesse período que conheceu o Islã e converteu-se ao Islamismo, influenciado por seu irmão Reginald, que pertencia à organização religiosa Nation of Islan (NOI), e mudou seu nome para El-HajiMalik Al-Shabazz. Continuou a usar o nome Malcolm, mas substituiu Little, por ser um nome escravo, por X, para significar seu nome tribal perdido. A partir dos ensinamentos de Elijah Muhammad, líder do NOI, de quem se tornou devoto seguidor, tornou-se um revolucionário, cujo ódio pela “América Branca” o tornou num radical defensor dos negros norte-americanos. As tensões raciais cresceram no início dos anos 60. Com sua crescente influência como ministro da NOI, suas colunas em jornais, aparições em programas de rádios e TVs, alcançou grande repercussão, não tardou para que o FBI se infiltrasse na organização, sendo que um dos agentes chegou a ser seu segurança pessoal, e passaram a monitorar as atividades do grupo. Malcolm cortou relações com a NOI em março de 1964, decepcionado com seu mestre Elijah Muhammad, depois que descobriu que ele tinha 6 mulheres dentro da organização islâmica, inclusive com filhos. E fundou sua própria organização religiosa, Muslin Mosque, INC. Também foi em 1964 que fez sua peregrinação à Meca, na Arábia Saudita. Depois que sua relação com a NOI esfriou, informantes do FBI que trabalhavam infiltrados, alertaram os oficiais de que Malcolm estava marcado para morrer. Em 14 de fevereiro de 1965, uma bomba explodiu em sua casa, quando estava em companhia de sua mulher (então grávida) e de suas 4 filhas. Mas todos escaparam. Uma semana depois, em 21 de fevereiro de 1965, enquanto discursava no Manhattan’s Audubon Ballroom, 3 atiradores o acertaram com 15 tiros a curta distância. Estava com 39 anos. Seu funeral ocorreu em 27 de fevereiro de 1965, no Harlem, em um templo cristão. Alguns meses depois, sua mulher deu à luz a gêmeas.  Seus assassinos, Talmadge Hayes, Norman Butler e Thomas Johnson, eram todos membros do Nation of Islam. Malcolm foi cremado no Ferncliff Cemetery, em Hartsdale, N.Y. Até hoje sua contribuição é sentida e inspira as pessoas a lutarem por seus direitos.

 

Os Revolucionários dos Direitos Civis nos EUA – Martin Luther King 

por edi cavalcante

 

Martin Luther King, natural de Atlanta, Geórgia, nasceu no dia 15 de março de 1929, de pai pastor Batista e mãe professora, uma família de classe média. Também ele tornou-se pastor Batista aos 19 anos, formou-se em teologia e fez pós graduação de filosofia na Universidade de Boston, onde conheceu sua futura esposa, Coretta Scott, estudante de música. Os protestos contra a segregação racial em locais públicos, como transportes, hotéis, restaurantes, multiplicaram-se a partir do início dos 60 em várias cidades dos EUA, o que o levou à prisão inúmeras vezes, acusado de promover desordem pública. Sua luta pelos direitos civis começou em 1955, quando uma cidadã negra foi discriminada em transporte público. Martin Luther, então presidente da Associação de Melhoramentos de Montgomery, organizou um movimento de boicote ao transporte da cidade, que durou um ano, e por causa disso, teve sua casa bombardeada. Em 1963, organizou “A Marcha para Washington”, passeata histórica com participação de cerca de 200.000 pessoas, onde proferiu o famoso discurso, “Eu tenho um sonho”. Foi uma manifestação em prol dos direitos civis de todos os cidadãos dos Estados Unidos. Em 1964 foi vencedor do Prêmio Nobel da Paz. Em 1965, liderou a “Marcha pela Aprovação da Lei do Direito de Voto”, que abolia o uso de exames que tinham como objetivo, impedir a população negra de votar. Essa marcha foi decisiva para alcançar esse objetivo. Em 1967 passa a participar do Movimento pela Paz no Vietnã. Mas a comunidade negra entendia que essa decisão o afastava do verdadeiro propósito, que era priorizar a luta pelos direitos civis.

 

 

Foto tirada em 3.4.1968, durante discurso, no mesmo balcão onde seria assassinado

Em 4 de abril de 1968, às 18:01 hs (hora local), em Memphis, Tenessee, Martin Luther é atingido por um tiro no pescoço quando estava com seu amigo Reverendo Jesse Jackson no balcão do Lorraine Motel, onde estava hospedado (quarto 306). Foi declarado oficialmente morto às 19:05 no hospital. Estava na cidade para liderar marcha de apoio a trabalhadores de saneamento em greve por melhores condições de trabalho e de melhores salários. Logo após a morte de Martim Luther, a greve foi encerrada com resultado favorável às reivindicações dos trabalhadores. Mas também desencadeou distúrbios violentos em mais de 100 cidades dos EUA. O assassino foi um atirador branco, preso e condenado a 99 anos de prisão (morto em 23 de abril de 1998). Sua convicção nos direitos civis e sua profunda fé na bondade humana e no grande potencial da democracia americana, fez de sua morte apenas o começo de sua vitória em prol dos direitos civis. Suas últimas palavras faziam referência a um hino religioso : “Take my hand, Precious Lord” (“Pegue minha mão, Precioso Senhor”). Em 1983, foi decretado feriado nacional em sua homenagem, na terceira 2ª feira de janeiro, data próxima de seu aniversário.

 

Os Revolucionários dos Direitos Civis nos EUA -

Black Power

por edi cavalcante

 

Com o recrudescimento das questões raciais e da violência contra os negros por organizações racistas como Klu Klux Klan, surgiram lideranças negras que enfrentaram as questões dos direitos civis e reagiram contra a violência policial. A questão é que os negros eram colocados em guetos, explorados e não tinham voz ativa na sociedade norte-americana. Martin Luther King (acima) e Malcolm X, entre outros, tornaram-se essa voz, e, atuando de formas diferentes, foram ambos revolucionários em suas ações em prol da causa dos negros e dos direitos civis nos EUA. Apenas as balas os pararam. Quantas vezes Martin Luther foi preso, mais intensas eram as manifestações e mais ele insistia pacificamente. A consciência de que a sociedade branca praticamente os extorquia, que a Justiça atuava com parcialidade, fez com que mais e mais pessoas lutassem por seus direitos, participando das manifestações lideradas por ativistas como Martin Luther e Malcolm X. O Movimento Black Power, é o resultado dessas ações sobre a mentalidade dos negros norte-americanos, que reagiram se auto afirmando enquanto indivíduo e enquanto raça. “Estamos gritando liberdade há 6 anos. O que vamos começar a dizer agora é poder negro”. Essa frase foi dita por Stokely Carmichael, militante radical do movimento negro nos EUA, depois da 27ª prisão, criando assim a expressão Poder Negro – Black Power. Lutar significa : participar dos eventos para os quais são convocados, mobilização para fazer valer seus direitos, mesmo com altos custos, porque sua auto estima estava viva, estavam unidos porque tinham seus porta-vozes e começavam a vencer a guerrilha da opinião pública, ( havia um slogan, “Black is Beautiful”) até a vitória, com adesões entre artistas e intelectuais negros e brancos, estudantes e escritores, como James Baldwin e ativistas políticos como Ângela Davis e John Sinclair, líder dos Panteras Negras de Detroit ( “Ângela, eles te meteram na prisão, assassinaram teu homem… Irmã, ainda és um guia para as pessoas, tuas palavras chegam muito longe, Há um milhão de raças diferentes, Mas todos nós compartilhamos o mesmo futuro no mundo”. E, “… Se ele tivesse sido um dos soldados, Que matavam vietcongs no Vietnã, Se ele fosse da CIA vendendo droga e criando confusão, Estaria livre, O teriam deixado em paz, Respirando o ar, como eu e você”.), John Lennon, para o álbum “Sometime in New York City”, de 1972.

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