Comportamento

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O Uso Medicinal da Maconha (Cannabis sativa)

 

Em resposta à pressão pública para a aprovação do uso medicinal da maconha, o órgão responsável pelo controle de medicamentos dos Estados Unidos (the Office of National Drug Control Policy, Washington,DC) patrocinou um estudo realizado pelo Institute of Medicine, que teve como autores o Dr. Stanley J. Watson, o Dr. John A. Benson e a Dra. Janet E. Joy. 

Este tinha como objetivo avaliar as evidências científicas dos benefícios e dos riscos do uso da maconha na medicina. Baseou-se em conhecimentos científicos e populares e foi validado por especialistas no assunto. O estudo foi publicado na revista Archives of General Psychiatry de junho de 2000.

 

                                                                                FOTO: Marco Monteiro

A principal finalidade deste estudo foi determinar o que é verdadeiro e o que é falso a respeito do efeito terapêutico da maconha. Ele consiste em uma revisão sobre os mecanismos e locais de ação da droga, bem como, a eficácia e falhas de seu uso medicinal. Inclui também uma análise dos efeitos crônicos e agudos da maconha, sendo comparados os seus efeitos adversos com os de outras drogas já padronizadas.

A biologia da maconha

O conhecimento a respeito da neurobiologia da maconha vem mudando dramaticamente na última década. Foram descobertos dois tipos de receptores (estruturas orgânicas que se ligam aos componentes químicos da maconha e permitem sua ação dentro das células), que receberam o nome de CB1 e CB2, estes se localizam principalmente no cérebro e nas células do sistema imune. 

Dentro do cérebro, estes receptores estão concentrados no sistema límbico, no córtex cerebral, no sistema motor e no hipocampo. Essas localizações explicam, em parte, os sintomas provocados pela maconha, como as alterações do estado mental, as mudanças de humor e as alterações da coordenação motora.

Seus efeitos sobre o sistema imune ainda não são bem conhecidos.

O papel da maconha na dor

Evidências de pesquisas em animais e em homens indicam que a maconha pode produzir um efeito analgésico importante. Porém, mais estudos devem ser feitos para estabelecer a magnitude e a duração deste efeito, nas diversas condições clínicas. Os pacientes que poderiam ser beneficiados com o uso dessa droga seriam aqueles em uso de quimioterapia, em pós-operatório, com trauma raquimedular (lesão da coluna vertebral com acometimento da medula), com 
neuropatia periférica, em fase pós-infarto cerebral, com AIDS, ou com qualquer outra condição clínica associada a um quadro importante de dor crônica.

Quimioterapia induzindo náuseas e vômitos

Muitos oncologistas e pacientes defendem o uso da maconha, ou do THC (seu principal componente já estudado) como agente antiemético. Mas quando comparada com outros agentes, a maconha tem um efeito menor do que as drogas já existentes. Contudo, seus efeitos podem ser aumentados quando associados com outros antieméticos. Dessa maneira, o uso da cannabis na quimioterapia pode ser eficiente em pacientes com 
náuseas e vômitos não controlados com outros medicamentos.

Desnutrição e estimulação do apetite

Os estudos sobre os efeitos da maconha sugerem que esta droga pode ser importante no tratamento da
desnutrição e da perda do apetite em pacientes com AIDS ou câncer. Mas outros medicamentos são mais efetivos do que a maconha, portanto, os autores recomendam pesquisas mais aprofundadas para avaliar a ação da maconha nesses pacientes.

Espasmo Muscular

Como já foi dito anteriormente, a maconha afeta o movimento, e estudos tem demonstrado que ela pode ajudar no controle do 
espasmo muscular (encontrado na esclerose múltipla ou no traumatismo raquimedular). 

Mas as pesquisas que avaliaram essa capacidade da maconha devem ser analisadas com cuidado, uma vez que, outros sintomas associados a estas doenças, como a ansiedade, podem aumentar os espasmos, e nesse caso, a maconha poderia ter sua ação diminuindo a ansiedade e não controlando o
espasmo propriamente dito. Por isso, os autores acreditam que mais estudos devem ser realizados para se confirmar esse efeito da maconha. 

Movimentos desordenados

Estudos em animais demonstram que o uso da maconha pode estimular os movimentos em doses baixas e pode inibí-los em doses altas. Esta característica pode ser importante para o desenvolvimento de tratamentos para as desordens motoras na doença de Parkinson. Os autores acreditam que novos estudos devem ser feitos para avaliar a quantidade exata da droga que pode ser eficiente no tratamento dessa condição.

Epilepsia

O principal objetivo do tratamento da 
epilepsia é impedir completamente as crises. Os estudos a esse respeito ainda estão se iniciando, e muitas vezes as crises não foram inibidas com o uso da maconha, portanto, os autores acreditam que pesquisas com pessoas ainda não devem ser indicadas.

Glaucoma

Apesar do 
glaucoma ser uma das indicações mais citadas para o uso da maconha, os dados existentes não suportam esta indicação. A pressão alta intra-ocular é um dos fatores de risco para o desenvolvimento do glaucoma e a maconha poderia agir diminuindo esta pressão. Mas esse efeito é de curta duração e só é conseguido com altas doses da droga. Como as altas doses provocam muitos efeitos indesejáveis e as medicações já existentes são bastante efetivas e com efeitos colaterais mínimos, os autores acreditam que o uso da cannabis nessa condição ainda não está indicado.

Efeitos adversos

Os efeitos adversos da cannabis podem ser divididos em duas categorias: os efeitos do hábito de fumar crônico e os efeitos do THC. O fumo crônico da maconha provoca alterações das células do trato respiratório, e aumentam a incidência de 
câncer de pulmão entre os usuários. Os efeitos associados ao longo tempo de exposição ao THC são a dependência dos efeitos psicoativos e a síndrome de abstinência com a cessação do uso. Os sintomas da síndrome de abstinência incluem agitação, insônia, irritabilidade, náusea e cãibras.

Alguns autores sugerem que a maconha é uma porta de entrada para outras drogas ilícitas. Mas ainda não existem estudos científicos que comprovem essa hipótese. E outras drogas como o tabaco e o álcool, na verdade, são as primeiras drogas a serem usadas antes da maconha.

Conclusão

Resumindo, os dados indicam um efeito terapêutico modesto, particularmente, no controle da dor, alívio de
náuseas e vômitos, e estimulação do apetite. Seus efeitos foram melhores estabelecidos para o THC. Mas a maconha possui vários outros componentes que não tem seus efeitos estudados, e que podem trazer muitos riscos. 

Os dados atuais não afastam e nem dão suporte para a hipótese de que o uso medicinal da maconha poderia aumentar o uso ilícito dessa droga. Ao final do estudo os autores concluíram que o futuro do uso terapêutico da maconha está associado com o desenvolvimento de substâncias puras, e não com o fumo da mesma.

Fonte: Arch Gen Psychiatry 2000;57:547-552 – Vol.57 No. 6, june 2000
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Preconceito? Uma ova, é conceito mesmo

 

Por Marco Monteiro

preconceito 
(pre- + conceito)
 

s. m.

1. Ideia ou conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério ou imparcial.

2. Opinião desfavorável que não é baseada em dados objectivos!.= intolerância

3. Estado de abusão, de cegueira moral.

4. Superstição.

 

Fui chamado de preconceituoso porque critico quem idolatra Bob Marley e fuma maconha. Eu não sou preconceituoso como fui rotulado. Estou fundamentado em fatos reais e não em informações sem credibilidade e apócrifas retiradas da internet.

Bob Marley bem serviu em sua época. Reconheço. Um tempo de transição cultural que os norte-americanos viveram durante o movimento contra a segregação racial, liderado por Martin Luter King, entre os anos de 1950 a 1970 e, os americanos negros passaram a se chamar, uns aos outros, de "brotheres" para que houvesse uma maior coesão no movimento.

Bob Marley apareceu bem mais tarde nesta história. Ele não teve participação direta na luta porque na época ainda era criança. Mas, fundamentou sua música na luta sobre a desigualdade social, um tema especulativo que até hoje é explorado pela mídia. Veja por exemplo a programação das tevês no horário do meio dia.

A desigualdade social existiu, existe e sempre existirá na humanidade. O homem escraviza o homem independente da cor da pele, do sexo, da religião etc.

A obra musical de Bob Marley não o transformou num herói nem num símbolo que deva ser seguido, ainda hoje, pela juventude brasileira. No Brasil, tivemos grandes compositores que viveram o mesmo período de Marly e bem mais cultos que ele, mas a mídia não divulga.

Bob Marley, como todos os jovens das mais diferentes épocas na história da humanidade foram manipulados por políticos.

Enquanto os norte-americanos lutavam pela cidadania e democracia durante os anos de 1950 a 1970, os brasileiros viviam o Regime Militar e não lutavam por nada, além de torcerem pela Seleção Brasileira de Futebol em busca de um título de tricampeão. O resultado disso deixou o povo brasileiro no ostracismo durante 30 anos e, só a partir dos anos de 1990 para cá, o Brasil começou a engatinhar tecnologicamente com o a implantação da internet em nosso pais.

Até os anos 2000, a internet era incipiente e precária, pouca gente tinha um micro em casa. Hoje, em cada residência tem um computador, principalmente nas classes mais baixas e sem o devido esclarecimento. A internet virou uma forma de lazer para a sociedade pobre. Em cada rua existe uma sala de internet cheia de crianças, adolescentes e adultos com os olhos fixados no Orkut ou jogando, quando deveriam estar pesquisando assuntos intelectuais de suma importância para suas vidas miseráveis, sem acesso à educação escolar, saúde e segurança pública.

E esta garotada de agora, nascida nos anos 90, por falta de conhecimento escolar, começou a ver reprises de filmes de produção norte-americana antigos, achando que é novidade. Por este motivo, começou a surgir entre os jovens o termo de tratamento "brother" e consequentemente, Bob Marley voltou ao cenário musical impressionando a juventude brasileira carente de cultura, a curtir  tudo isso como se fosse uma novidade, mas não é.

Toda esta velharia vem sendo vendida para os jovens sem cabeças com uma nova embalagem, como por exemplo, a música de Bob Marley, o termo "brother" etc.

Nós devemos atribuir este retrocesso musical brasileiro aos novos "compositores" medíocres que promovem uma espécie de ruído sonoro e sem embasamento sóciocultural. Eles acham que este ruído é música.

Os ritmos primitivos das tribos africanas são mais evoluídos do que o tipo de ritmos "musicais" produzidos hoje em dia na Bahia que desvia o comportamento da sociedade como um todo, visando apenas o aspecto socioeconômico propriamente dito.

O mundo anda para frente. Nos Estados Unidos ninguém fala mais em segregação racial nem usam o termo 'brother'. Na África do Sul ninguém fala mais no regime de segregação racial combatido por Nelson Mandela que ficou conhecido como "apartheid".

Então, meu caro amigo de 16 anos cabeça oca, que tem medo de assistir sozinho a um filme bobo como o Código Da Vinci, mas não tem medo de se drogar e ainda por cima, faz xixi na cama de vez em quando, comprovando que não controla seus sentidos e suas emoções. E uma criatura dessa, ignorante, rotula os outros de preconceituosos sem sequer saber o significado da palavra preconceito.

Eu não sou um preconceituoso. Condeno sim, o uso da maconha sem prescrição médica fundamentado em princípios científicos e vivências. Eu tenho conhecimento de causa e me manifesto contra as pessoas que se drogam porque quem usa maconha vive dependente. Não é natural para uma pessoa sentir-se bem ter que usar drogas para viver bem. Só os doentes é que precisam de drogas e sob prescrição médica.

Sabem por que a polícia não prende usuários de drogas? Porque eles já vivem presos em liberdade. Que prisão pior que esta para uma pessoa viver?

16 anos é a idade que abre duas portas: uma conduz ao céu e para chegar lá, o caminho é árduo. A outra porta conduz ao inferno e o caminho para chegar no inferno é muito prazeroso. O céu e o inferno são aqui mesmo na Terra.

Finalizando, porque eu tenho certeza que você sempre ler tudo até o fim, quando precisar de alguma ajuda minha, não me procure. Procure seu traficante e verá como ele é inóspito.

                                                                                                                                                                                                                                          FOTO: Marco Monteiro

Adoro ver desgraça anunciada. Tipo aquela da Fonte Nova que resultou em uma tragédia. Várias reportagens foram publicadas denunciando o estado precário das ferragens das arquibancadas do anel superior. Eu mesmo fiz algumas reportagens, inclusive entrevistei o engenheiro responsável pela estrutura do estádio da Fonte Nova. Mas, a ganância de um tirou a vida de muitos.

 

É o que deve acontecer com quem se droga na esperança de ter uma vida melhor, achando que fumando maconha pode fugir da realidade da vida que vive.

 

RESUMO:

 

O conhecimento a respeito da neurobiologia da maconha vem mudando dramaticamente na última década. Foram descobertos dois tipos de receptores (estruturas orgânicas que se ligam aos componentes químicos da maconha e permitem sua ação dentro das células), que receberam o nome de CB1 e CB2, estes se localizam principalmente no cérebro e nas células do sistema imune. 

Dentro do cérebro, estes receptores estão concentrados no sistema límbico, no córtex cerebral, no sistema motor e no hipocampo. Essas localizações explicam, em parte, os sintomas provocados pela maconha, como as alterações do estado mental, as mudanças de humor e as alterações da coordenação motora. Por isso é que a maconha é altamente prejudicial, principalmente para o indivíduo adolescente.

 

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Uso de maconha por surfista

O número de surfistas é cada vez maior e praticado por pessoas de diferentes classes sociais, idades, sexos e regiões do Brasil.

    A informação que o uso da maconha melhora o desempenho do surfista é uma mentira. A maconha destrói os aspectos éticos da competição e, sobretudo, à saúde dos surfistas.

    Numerosos casos de denúncias de garotos usando maconha nas competições e outras drogas, levam autoridades a apertar o cerco com exames antidoping. Os casos se sucedem em todos os esportes, tratando-se de um assunto da maior relevância, tomando uma proporção epidêmica, um problema social.

    O texto aqui citado é fundamentado em fatos. Um grande número de jovens vêm fazendo uso da maconha enquanto praticam esportes quando o mesmo requer boas condições físicas e biológicas do individuo.

    Depoimentos como: "Todo surfista é um maconheiro em potencial, porém nem todo maconheiro é um surfista", indicam que o consumo da maconha por surfistas é reconhecido por todos os surfistas, mesmo os não usuários.

    Estudos apontam a maconha como a droga mais utilizada e de fácil acesso para jovens brasileiros.

Percebe-se que, praticantes de surfe com idades entre 15 e 45 anos, fumam maconha antes de surfar e outros tipos de drogas lícitas e ilícitas.

Quanto às drogas lícitas utilizadas pelos surfistas, encontramos a ocorrência no uso do álcool, de cafeína e do tabaco. Estas drogas apesar de serem liberadas para a comercialização e o consumo, são substâncias que causam sérios riscos a saúde física e mental. São drogas que apesar do seu efeito maléfico estão sendo largamente utilizadas por adolescentes que iniciam prematuramente este consumo. Os usuários de álcool estão sempre envolvidos em acidentes de trânsito ou agressões, além de estarem suscetíveis à dependência física e psicológica. A importância de investigar o uso de cafeína não se aplica tanto a malefícios ou alterações psicológicas que esta substância possa causar no usuário, até porque quando os surfistas assumem-se consumidores de cafeína, esta é absorvida de fontes como o café, ou seja, fontes que disponibilizam de pouca quantidade desta substância de fácil adaptação e tolerância. Porém, é importante ressaltar que a World Anti-Doping Agency - WADA, vinculada ao COI, proíbe o consumo ergogênico da cafeína por atletas federados.

   É quase certo que o motivo para um maior número de surfistas utilizarem a maconha se dá por ser uma droga mais fraca, que prejudique menos o organismo, não comprometendo de forma acentuada seu desempenho no dia-a-dia e na mar, sendo uma droga mais barata e popular, o que também favorece o seu uso.

   Situações em que os surfistas costumam fazer o uso da droga


* Os participantes se enquadraram em mais de um motivo 
** Dados pertinentes aos dados da tabela 1 quanto aos tipos de drogas utilizadas pelos escaladores em rocha

    A análise destes dados é preocupante, pois o número de surfistas que utilizam a maconha no mar é de 64,1% (25), é muito alto, e estes indicaram usar a droga rotineiramente e constantemente conforme a tabela 3. As outras drogas ilícitas só são utilizadas fora da prática do surfe, porém um dos consumidores de cocaína disse já ter experimentado esta droga no surfe uma única vez, relatando ter a mesma performance de quando surfa sem o efeito desta droga. Quando questionado ao motivo de não utilizar por outras vezes cocaína no surfe, este participante afirmou ser perigoso.

Momento que a droga é usada pelos surfistas no mar


* Os participantes se enquadraram em mais de um motivo 
** Dados pertinentes aos valores da tabela 4 quanto às situações em que os escaladores costumam fazer o uso da droga

    O uso de drogas que alterem o equilíbrio físico e mental na prática do surfe coloca em risco a segurança dos surfistas, pois se trata de um esporte com alta periculosidade que exige muita atenção e concentração de seus praticantes. O uso da maconha ocorre durante a prática por muitos praticantes. Os surfistas que utilizam a maconha somente depois do surfe, podem estar mais protegidos dos riscos que este esporte apresenta, porém se este uso ocorre em lugares remotos como um mar com fontes correntes e fundo de pedra, mesmo depois do surfe, este atleta pode correr algum risco de acidente devido aos efeitos que a droga provoca na maioria dos usuários, como a desatenção ou a diminuição da resistência muscular, dentre outros efeitos. A maior parte deles utiliza a droga somente após o surfe, afirmando como motivo principal os efeitos provocados pela droga, que os atrapalha, sendo para muitos como uma "champanhe para comemorar o fim do dia surfado.

    A cafeína foi apresentada como a droga utilizada por mais tempo pelos escaladores. Esta afirmação se deve ao hábito das famílias brasileiras acrescentarem desde cedo o café e outros alimentos ricos em cafeína na alimentação de seus filhos, sendo esta uma substância muito popular.

Motivos que levaram os indivíduos a iniciarem o uso da droga


* Os participantes se enquadraram em mais de um motivo 
** Dados pertinentes ao número total de escaladores que utilizam drogas

Os resultados demonstram que a maioria dos surfistas iniciaram o uso de drogas por influência de amigos, familiares etc., seguido pela curiosidade dos efeitos das drogas.

    A afirmação de 54,2% (32) dos surfistas justificando como motivo para o uso de drogas a necessidade de seus efeitos psicológicos e físicos é algo preocupante, pois apesar de se tratar de drogas lícitas como o cigarro e a cafeína que não causam variações agudas no equilíbrio psicológico e físico, o uso contínuo destas drogas a longo prazo causa sérios problemas orgânicos a maioria dos seus usuários. O cigarro, por exemplo, quando utilizado por muitos anos, causa malefícios físicos como respiratórios, cardíacos, e psicológicos como ansiedade, irritabilidade pela abstinência a droga, causando dependência e maior procura pelo seu uso.

    Os efeitos de drogas como o tabaco e a cafeína não são preocupantes por serem drogas dito fracas, com controle de qualidade, sem uma alteração do tropismo psicológico, apesar de influenciarem no equilíbrio orgânico como comentado pelos escaladores.

    Já as drogas ilícitas e incluindo o álcool, são substâncias que para a maioria, quando utilizadas, seus efeitos não condizem com a disponibilidade física e psicológica para tarefas como dirigir, estudar, trabalhar e principalmente a prática de qualquer esporte de aventura como a escalada.

    Um pequena parte dos surfistas, relataram que apesar de sentirem os efeitos de drogas como o álcool e a maconha, já estão acostumados com a drogas e apenas utilizando uma grande quantidade destas, não conseguiriam realizar tarefas como dirigir ou praticar algum esporte em que já teriam um certo domínio.

    Quando perguntado aos surfistas se este poderiam indicar aproximadamente o percentual de praticantes deste esporte usuários de drogas ilícitas, obteve-se o percentual de 71% a 90% como o maior número de sugestão para a quantidade de surfistas usuários de drogas ilícitas. A maconha foi afirmada por todos os participantes, como a droga utilizada com mais frequência.

       Questionou-se a todos os surfistas entrevistados, se estes poderiam descrever como ocorria o uso de drogas pelos indivíduos usuários no momento do surfe e se poderiam dizer por quais motivos isto ocorreria.

    As opiniões dos entrevistados não usuários de drogas, baseiam-se em informações sobre drogas que estes tiveram conhecimento nas escolas, em suas casas, pela mídia etc, e experiências que eles já tiveram com as mesmas; mais principalmente pela experiência que eles têm no esporte e por observarem como agem os surfistas que utilizam a droga no surfe, até por manterem contato com alguns deles. Notou-se que entre esse grupo as justificativas apresentadas para que os escaladores usassem a droga, em nenhum momento levou em conta os possíveis efeitos positivos que esta substância poderia proporcionar aos praticantes. Este autor acredita que este seja um reflexo das campanhas educacionais que condenam o uso de drogas fazendo com que as pessoas criem aversão a estas substâncias.

    Os surfistas que utilizam a maconha somente fora da escalada, além de saber dos efeitos da droga, 10 destes indivíduos surfam ou já surfaram com surfistas que utilizam maconha durante a surfe, justificando suas respostas.

    Os surfistas que surfam utilizando a maconha justificam esta prática argumentando principalmente a inalteração da sua performance, o hábito de utilizar a droga em qualquer ocasião, por já esta acostumado e adaptado com os efeitos da droga e pela maconha lhe proporcionar um prazer físico e psicológico.

    Nas opiniões dos surfistas em relação ao uso de drogas no surfe, muito diz respeito a sua realidade, onde os surfistas não-usuários, na sua maioria acham este fato incompatível à prática do surfe, por motivos como o risco de acidentes, a popularidade do surfista, e a própria essência do esporte, sendo que muitos afirmam que se forem respeitados, também respeitaram os atletas usuários.

    Escaladores usuários da maconha somente fora do surfe, acham este fato normal, porém alguns deles não se sentem bem surfando com uma pessoa sob o efeito da droga, por possíveis acidentes. Esta preocupação em escalar com alguém chapado coloca em cheque o fato deste afirmarem como normal esta situação.

    Os surfistas que usam a maconha no surfe acham normal, e que cada um deve ter consciência do que faz e do que pode fazer. Ressalta-se que a maioria deles utilizam a droga depois do surfe, onde alguns têm receio de surfar com alguém sob o efeito da droga e sugerem seu uso bem antes ou depois do surfe em um local seguro.

    Na primeira etapa deste estudo que verificou o uso de drogas ilícitas entre praticantes de surfe, constatou-se que 57,5% (19) dos surfistas de um total de 100% (33) participantes, utilizavam somente maconha antes, durante e após o surfe. Para finalizar a entrevista nesta segunda etapa do estudo, perguntou-se a cada participante qual era a sua opinião pela razão do uso apenas da maconha.

    Os participantes elegeram como principais motivos o fácil acesso a esta droga que hoje é utilizada em larga escala por jovens e adultos. Um outro motivo alegado foi o baixo preço na qual esta droga é comercializada por traficantes e a influência social que esta droga sofre e causa na atualidade.

      Na opinião de alguns entrevistados, um outro fator que pode estar motivando o uso da maconha por surfistas durante sua prática é a existência de uma relação desta droga com a natureza, relação esta elaborada pelos próprios surfistas que praticam seu esporte no meio natural.

    Um depoimento concebido durante a primeira etapa deste estudo, via correio eletrônico por um dos maiores surfistas da Bahia que não quis ser identificado na pesquisa e não fez parte da amostra, conta: "Aqui em Salvador a galera que surfa tá meio com o filme queimado, pois todo mundo associa o surfe a maconha"; como a figura dos surfistas em todo o Brasil, que já foram conhecidos como maconheiros, generalizando até os atletas que não fazem uso de nenhum tipo de droga.

Conclusões

    O número de usuários de drogas lícitas e ilícitas entre os surfistas é significativo, considerando o número de 59 usuários de drogas entre os 93 surfistas pesquisados.

    As drogas lícitas utilizadas pelos surfistas no momento da prática são o álcool, a cafeína e o tabaco.

    Os motivos que levam os surfistas a consumirem estas drogas, é o hábito de utilizarem tais substâncias como a cafeína em bebidas como o café ou energéticos, o cigarro pela dependência e o prazer proporcionado, juntamente com o fato de tais substâncias não alterarem o equilíbrio psicofísico e consequentemente não proporcionarem malefícios a sua performance. O uso do álcool no surfe foi citado por dois surfistas, porém com uma baixa frequência e sempre depois da prática do surfe.

    A droga ilícita utilizada pelos surfistas no momento da prática deste esporte é a Maconha.

    Os motivos para o uso da maconha durante o surfe, é a sensação de bem-estar que a droga lhes proporciona, como o relaxamento e o ambiente favorável em que o surfe é praticado. Alguns surfistas utilizam a maconha para uma melhora no seu desempenho físico e psicológico.

    É importante considerar que a maioria dos surfistas que utilizam a maconha no surfe, fazem este uso com maior frequência depois da prática da modalidade, diminuindo as chances de um eventual acidente. Não se pode dizer também que a maconha possa ser responsável por eventuais acidentes que cada surfista está sujeito a vivenciar, pois acidentes fazem parte de qualquer atividade do dia-a-dia, porém, quando ocorre o uso da maconha ou de qualquer outra droga que altere a homeostase, antes e/ou durante a prática do esporte, as chances destes eventuais acidentes acontecerem são bem maiores.

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