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O Uso Medicinal da Maconha (Cannabis
sativa)

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Em resposta à pressão pública para
a aprovação do uso medicinal da maconha, o órgão
responsável pelo controle de medicamentos dos Estados
Unidos (the Office of National Drug Control Policy,
Washington,DC) patrocinou um estudo realizado pelo
Institute of Medicine, que teve como autores o Dr.
Stanley J. Watson, o Dr. John A. Benson e a Dra. Janet
E. Joy.
Este tinha como objetivo avaliar as evidências
científicas dos benefícios e dos riscos do uso da
maconha na medicina. Baseou-se em conhecimentos
científicos e populares e foi validado por especialistas
no assunto. O estudo foi publicado na revista Archives
of General Psychiatry de junho de 2000.
FOTO: Marco Monteiro
A
principal finalidade deste estudo foi determinar o que é
verdadeiro e o que é falso a respeito do efeito
terapêutico da maconha. Ele consiste em uma revisão
sobre os mecanismos e locais de ação da droga, bem como,
a eficácia e falhas de seu uso medicinal. Inclui também
uma análise dos efeitos crônicos e agudos da maconha,
sendo comparados os seus efeitos adversos com os de
outras drogas já padronizadas.
A biologia da maconha
O conhecimento a respeito da neurobiologia da maconha
vem mudando dramaticamente na última década. Foram
descobertos dois tipos de receptores (estruturas
orgânicas que se ligam aos componentes químicos da
maconha e permitem sua ação dentro das células), que
receberam o nome de CB1 e CB2, estes se localizam
principalmente no cérebro e nas células do sistema
imune.
Dentro do cérebro, estes receptores estão concentrados
no sistema límbico, no córtex cerebral, no sistema motor
e no hipocampo. Essas localizações explicam, em parte,
os sintomas provocados pela maconha, como as alterações
do estado mental, as mudanças de humor e as alterações
da coordenação motora.
Seus efeitos sobre o sistema imune ainda não são bem
conhecidos.
O papel da maconha na dor
Evidências de pesquisas em animais e em homens indicam
que a maconha pode produzir um efeito analgésico
importante. Porém, mais estudos devem ser feitos para
estabelecer a magnitude e a duração deste efeito, nas
diversas condições clínicas. Os pacientes que poderiam
ser beneficiados com o uso dessa droga seriam aqueles em
uso de quimioterapia, em pós-operatório, com trauma
raquimedular (lesão da coluna vertebral com acometimento
da medula), com neuropatia periférica,
em fase pós-infarto cerebral, com AIDS, ou com qualquer
outra condição clínica associada a um quadro importante
de dor crônica.
Quimioterapia induzindo náuseas e vômitos
Muitos oncologistas e pacientes defendem o uso da
maconha, ou do THC (seu principal componente já
estudado) como agente antiemético. Mas quando comparada
com outros agentes, a maconha tem um efeito menor do que
as drogas já existentes. Contudo, seus efeitos podem ser
aumentados quando associados com outros antieméticos.
Dessa maneira, o uso da cannabis na quimioterapia pode
ser eficiente em pacientes com náuseas e
vômitos não controlados com outros medicamentos.
Desnutrição e estimulação do apetite
Os estudos sobre os efeitos da maconha sugerem que esta
droga pode ser importante no tratamento da
desnutrição e
da perda do apetite em pacientes com AIDS ou câncer. Mas
outros medicamentos são mais efetivos do que a maconha,
portanto, os autores recomendam pesquisas mais
aprofundadas para avaliar a ação da maconha nesses
pacientes.
Espasmo Muscular
Como já foi dito anteriormente, a maconha afeta o
movimento, e estudos tem demonstrado que ela pode ajudar
no controle do espasmo muscular
(encontrado na esclerose
múltipla ou
no traumatismo
raquimedular).
Mas as pesquisas que avaliaram essa capacidade da
maconha devem ser analisadas com cuidado, uma vez que,
outros sintomas associados a estas doenças, como a
ansiedade, podem aumentar os espasmos, e nesse caso, a
maconha poderia ter sua ação diminuindo a ansiedade e
não controlando o
espasmo propriamente
dito. Por isso, os autores acreditam que mais estudos
devem ser realizados para se confirmar esse efeito da
maconha.
Movimentos desordenados
Estudos em animais demonstram que o uso da maconha pode
estimular os movimentos em doses baixas e pode inibí-los
em doses altas. Esta característica pode ser importante
para o desenvolvimento de tratamentos para as desordens
motoras na doença de Parkinson. Os autores acreditam que
novos estudos devem ser feitos para avaliar a quantidade
exata da droga que pode ser eficiente no tratamento
dessa condição.
Epilepsia
O principal objetivo do tratamento da epilepsia é
impedir completamente as crises. Os estudos a esse
respeito ainda estão se iniciando, e muitas vezes as
crises não foram inibidas com o uso da maconha,
portanto, os autores acreditam que pesquisas com pessoas
ainda não devem ser indicadas.
Glaucoma
Apesar do glaucoma ser
uma das indicações mais citadas para o uso da maconha,
os dados existentes não suportam esta indicação. A
pressão alta intra-ocular é um dos fatores de risco para
o desenvolvimento do glaucoma e
a maconha poderia agir diminuindo esta pressão. Mas esse
efeito é de curta duração e só é conseguido com altas
doses da droga. Como as altas doses provocam muitos
efeitos indesejáveis e as medicações já existentes são
bastante efetivas e com efeitos colaterais mínimos, os
autores acreditam que o uso da cannabis nessa condição
ainda não está indicado.
Efeitos adversos
Os efeitos adversos da cannabis podem ser divididos em
duas categorias: os efeitos do hábito de fumar crônico e
os efeitos do THC. O fumo crônico da maconha provoca
alterações das células do trato respiratório, e aumentam
a incidência de câncer de
pulmão entre os usuários. Os efeitos associados ao longo
tempo de exposição ao THC são a dependência dos efeitos
psicoativos e a síndrome de
abstinência com a cessação do uso. Os sintomas da síndrome de
abstinência incluem agitação, insônia, irritabilidade,
náusea e cãibras.
Alguns autores sugerem que a maconha é uma porta de
entrada para outras drogas ilícitas. Mas ainda não
existem estudos científicos que comprovem essa hipótese.
E outras drogas como o tabaco e o álcool, na verdade,
são as primeiras drogas a serem usadas antes da maconha.
Conclusão
Resumindo, os dados indicam um efeito terapêutico
modesto, particularmente, no controle da dor, alívio de
náuseas e
vômitos, e estimulação do apetite. Seus efeitos foram
melhores estabelecidos para o THC. Mas a maconha possui
vários outros componentes que não tem seus efeitos
estudados, e que podem trazer muitos riscos.
Os dados atuais não afastam e nem dão suporte para a
hipótese de que o uso medicinal da maconha poderia
aumentar o uso ilícito dessa droga. Ao final do estudo
os autores concluíram que o futuro do uso terapêutico da
maconha está associado com o desenvolvimento de
substâncias puras, e não com o fumo da mesma.
Fonte: Arch
Gen Psychiatry 2000;57:547-552
– Vol.57 No. 6, june 2000.
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Preconceito? Uma
ova, é conceito mesmo
Por
Marco Monteiro
preconceito
(pre- + conceito)
1. Ideia
ou conceito formado
antecipadamente e sem fundamento
sério ou imparcial.
2. Opinião
desfavorável que não é baseada
em dados objectivos!.= intolerância
3. Estado
de abusão, de cegueira moral.
Fui chamado de preconceituoso porque critico quem
idolatra Bob Marley e fuma maconha. Eu não sou
preconceituoso como fui rotulado. Estou fundamentado em
fatos reais e não em informações sem credibilidade e
apócrifas retiradas da internet.
Bob Marley bem serviu em sua época. Reconheço. Um tempo
de transição cultural que os norte-americanos viveram
durante o movimento contra a segregação racial, liderado
por Martin Luter King, entre os anos de 1950 a 1970 e,
os americanos negros passaram a se chamar, uns aos
outros, de "brotheres" para que houvesse uma maior
coesão no movimento.
Bob Marley apareceu bem mais tarde nesta história. Ele
não teve participação direta na luta porque na época
ainda era criança. Mas, fundamentou sua música na luta
sobre a desigualdade social, um tema especulativo que
até hoje é explorado pela mídia. Veja por exemplo a
programação das tevês no horário do meio dia.
A desigualdade social existiu, existe e sempre existirá
na humanidade. O homem escraviza o homem independente da
cor da pele, do sexo, da religião etc.
A obra musical de Bob Marley não o transformou num herói
nem num símbolo que deva ser seguido, ainda hoje, pela
juventude brasileira. No Brasil, tivemos grandes
compositores que viveram o mesmo período de Marly e bem
mais cultos que ele, mas a mídia não divulga.
Bob Marley, como todos os jovens das mais diferentes
épocas na história da humanidade foram manipulados por
políticos.
Enquanto os norte-americanos lutavam pela cidadania e
democracia durante os anos de 1950 a 1970, os
brasileiros viviam o Regime Militar e não lutavam por
nada, além de torcerem pela Seleção Brasileira de
Futebol em busca de um título de tricampeão. O resultado
disso deixou o povo brasileiro no ostracismo durante 30
anos e, só a partir dos anos de 1990 para cá, o Brasil
começou a engatinhar tecnologicamente com o a
implantação da internet em nosso pais.
Até os anos 2000, a internet era incipiente e precária,
pouca gente tinha um micro em casa. Hoje, em cada
residência tem um computador, principalmente nas classes
mais baixas e sem o devido esclarecimento. A internet
virou uma forma de lazer para a sociedade pobre. Em cada
rua existe uma sala de internet cheia de crianças,
adolescentes e adultos com os olhos fixados no Orkut ou
jogando, quando deveriam estar pesquisando assuntos
intelectuais de suma importância para suas vidas
miseráveis, sem acesso à educação escolar, saúde e
segurança pública.
E esta garotada de agora, nascida nos anos 90, por falta
de conhecimento escolar, começou a ver reprises de
filmes de produção norte-americana antigos, achando que
é novidade. Por este motivo, começou a surgir entre os
jovens o termo de tratamento "brother" e
consequentemente, Bob Marley voltou ao cenário musical
impressionando a juventude brasileira carente de
cultura, a curtir tudo isso como se fosse uma novidade,
mas não é.
Toda esta velharia vem sendo vendida para os jovens sem
cabeças com uma nova embalagem, como por exemplo, a
música de Bob Marley, o termo "brother" etc.
Nós devemos atribuir este retrocesso musical brasileiro
aos novos "compositores" medíocres que promovem uma
espécie de ruído sonoro e sem embasamento sóciocultural.
Eles acham que este ruído é música.
Os ritmos primitivos das tribos africanas são mais
evoluídos do que o tipo de ritmos "musicais" produzidos
hoje em dia na Bahia que desvia o comportamento da
sociedade como um todo, visando apenas o aspecto
socioeconômico propriamente dito.
O mundo anda para frente. Nos Estados Unidos ninguém
fala mais em segregação racial nem usam o termo
'brother'. Na África do Sul ninguém fala mais no regime
de segregação racial combatido por Nelson Mandela que
ficou conhecido como "apartheid".
Então, meu caro amigo de 16 anos cabeça oca, que tem
medo de assistir sozinho a um filme bobo como o Código
Da Vinci, mas não tem medo de se drogar e ainda por
cima, faz xixi na cama de vez em quando, comprovando que
não controla seus sentidos e suas emoções. E uma
criatura dessa, ignorante, rotula os outros de
preconceituosos sem sequer saber o significado da
palavra preconceito.
Eu não sou um preconceituoso. Condeno sim, o uso da
maconha sem prescrição médica fundamentado em princípios
científicos e vivências. Eu tenho conhecimento de causa
e me manifesto contra as pessoas que se drogam porque
quem usa maconha vive dependente. Não é natural para uma
pessoa sentir-se bem ter que usar drogas para viver bem.
Só os doentes é que precisam de drogas e sob prescrição
médica.
Sabem por que a polícia
não prende usuários de drogas? Porque eles já vivem
presos em liberdade. Que prisão pior que esta para uma
pessoa viver?
16 anos é a idade que abre duas portas: uma conduz ao
céu e para chegar lá, o caminho é árduo. A outra porta
conduz ao inferno e o caminho para chegar no inferno é
muito prazeroso. O céu e o inferno são aqui mesmo na
Terra.
Finalizando, porque eu tenho certeza que você sempre ler
tudo até o fim, quando precisar de alguma ajuda minha,
não me procure. Procure seu traficante e verá como ele é inóspito.
FOTO: Marco Monteiro
Adoro
ver desgraça anunciada. Tipo aquela da Fonte Nova que
resultou em uma tragédia. Várias reportagens foram
publicadas denunciando o estado precário das ferragens
das arquibancadas do anel superior. Eu mesmo fiz algumas
reportagens, inclusive entrevistei o engenheiro
responsável pela estrutura do estádio da Fonte Nova.
Mas, a ganância de um tirou a vida de muitos.
É o que deve
acontecer com quem se droga na esperança de ter uma vida
melhor, achando que fumando maconha pode fugir da
realidade da vida que vive.
RESUMO:
O conhecimento a respeito da neurobiologia da maconha
vem mudando dramaticamente na última década. Foram
descobertos dois tipos de receptores (estruturas
orgânicas que se ligam aos componentes químicos da
maconha e permitem sua ação dentro das células), que
receberam o nome de CB1 e CB2, estes se localizam
principalmente no cérebro e nas células do sistema
imune.
Dentro do cérebro, estes receptores estão concentrados
no sistema límbico, no córtex cerebral, no sistema motor
e no hipocampo. Essas localizações explicam, em parte,
os sintomas provocados pela maconha, como as alterações
do estado mental, as mudanças de humor e as alterações
da coordenação motora. Por isso é que a maconha é
altamente prejudicial, principalmente para o indivíduo
adolescente.
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Uso de maconha por surfista
O
número de surfistas é cada vez maior e praticado por
pessoas de diferentes classes sociais, idades, sexos e
regiões do Brasil.
A informação que o uso da maconha
melhora o desempenho do surfista é uma mentira. A
maconha destrói os aspectos éticos da competição e,
sobretudo, à saúde dos surfistas.
Numerosos casos de denúncias de
garotos usando maconha nas competições e outras drogas,
levam autoridades a apertar o cerco com exames
antidoping. Os casos se sucedem em todos os esportes,
tratando-se de um assunto da maior relevância, tomando
uma proporção epidêmica, um problema social.
O texto aqui citado é
fundamentado em fatos. Um grande número de jovens vêm
fazendo uso da maconha enquanto praticam esportes quando
o mesmo requer boas condições físicas e biológicas do
individuo.
Depoimentos como: "Todo
surfista é um maconheiro em potencial, porém nem todo
maconheiro é um surfista", indicam
que o consumo da maconha por surfistas é reconhecido por
todos os surfistas, mesmo os não usuários.
Estudos apontam a maconha como a
droga mais utilizada e de fácil acesso para jovens
brasileiros.
Percebe-se que,
praticantes de surfe com idades entre 15 e 45
anos, fumam maconha antes de surfar e outros tipos
de drogas lícitas e ilícitas.

Quanto às drogas lícitas utilizadas
pelos surfistas, encontramos a ocorrência no uso do
álcool, de cafeína e do tabaco. Estas drogas apesar de
serem liberadas para a comercialização e o consumo, são
substâncias que causam sérios riscos a saúde física e
mental. São drogas que apesar do seu efeito maléfico
estão sendo largamente utilizadas por adolescentes que
iniciam prematuramente este consumo. Os usuários de
álcool estão sempre envolvidos em acidentes de trânsito
ou agressões, além de estarem suscetíveis à dependência
física e psicológica. A importância de investigar o uso
de cafeína não se aplica tanto a malefícios ou
alterações psicológicas que esta substância possa causar
no usuário, até porque quando os surfistas assumem-se
consumidores de cafeína, esta é absorvida de fontes como
o café, ou seja, fontes que disponibilizam de pouca
quantidade desta substância de fácil adaptação e
tolerância. Porém, é importante ressaltar que a World
Anti-Doping Agency - WADA, vinculada ao COI, proíbe o
consumo ergogênico da cafeína por atletas federados.
É quase certo que o motivo para um
maior número de surfistas utilizarem a maconha se dá por
ser uma droga mais fraca, que prejudique menos o
organismo, não comprometendo de forma acentuada seu
desempenho no dia-a-dia e na mar, sendo uma droga mais
barata e popular, o que também favorece o seu uso.
Situações em que os surfistas costumam fazer o uso da
droga

* Os participantes se enquadraram em mais de um motivo
** Dados pertinentes aos dados da tabela 1 quanto aos
tipos de drogas utilizadas pelos escaladores em rocha
A análise destes dados é
preocupante, pois o número de surfistas que utilizam a
maconha no mar é de 64,1% (25), é muito alto, e estes
indicaram usar a droga rotineiramente e constantemente
conforme a tabela 3. As outras drogas ilícitas só são
utilizadas fora da prática do surfe, porém um dos
consumidores de cocaína disse já ter experimentado esta
droga no surfe uma única vez, relatando ter a mesma
performance de quando surfa sem o efeito desta droga.
Quando questionado ao motivo de não utilizar por outras
vezes cocaína no surfe, este participante afirmou ser
perigoso.
Momento que a droga é
usada pelos surfistas no mar

* Os participantes se enquadraram em mais de um motivo
** Dados pertinentes aos valores da tabela 4 quanto às
situações em que os escaladores costumam fazer o uso da
droga
O uso de drogas que alterem o
equilíbrio físico e mental na prática do surfe coloca em
risco a segurança dos surfistas, pois se trata de um
esporte com alta periculosidade que exige muita atenção
e concentração de seus praticantes. O uso da maconha
ocorre durante a prática por muitos praticantes. Os
surfistas que utilizam a maconha somente depois do
surfe, podem estar mais protegidos dos riscos que este
esporte apresenta, porém se este uso ocorre em lugares
remotos como um mar com fontes correntes e fundo de
pedra, mesmo depois do surfe, este atleta pode correr
algum risco de acidente devido aos efeitos que a droga
provoca na maioria dos usuários, como a desatenção ou a
diminuição da resistência muscular, dentre outros
efeitos. A maior parte deles utiliza a droga somente
após o surfe, afirmando como motivo principal os efeitos
provocados pela droga, que os atrapalha, sendo para
muitos como uma "champanhe para comemorar o fim do
dia surfado.
A cafeína foi apresentada como a
droga utilizada por mais tempo pelos escaladores. Esta
afirmação se deve ao hábito das famílias brasileiras
acrescentarem desde cedo o café e outros alimentos ricos
em cafeína na alimentação de seus filhos, sendo esta uma
substância muito popular.
Motivos que levaram os indivíduos a iniciarem o uso da
droga

* Os participantes se enquadraram em mais de um motivo
** Dados pertinentes ao número total de escaladores que
utilizam drogas
Os resultados demonstram que a
maioria dos surfistas iniciaram o uso de drogas por
influência de amigos, familiares etc., seguido pela
curiosidade dos efeitos das drogas.
A afirmação de 54,2% (32) dos
surfistas justificando como motivo para o uso de drogas
a necessidade de seus efeitos psicológicos e físicos é
algo preocupante, pois apesar de se tratar de drogas
lícitas como o cigarro e a cafeína que não causam
variações agudas no equilíbrio psicológico e físico, o
uso contínuo destas drogas a longo prazo causa sérios
problemas orgânicos a maioria dos seus usuários. O
cigarro, por exemplo, quando utilizado por muitos anos,
causa malefícios físicos como respiratórios, cardíacos,
e psicológicos como ansiedade, irritabilidade pela
abstinência a droga, causando dependência e maior
procura pelo seu uso.
Os efeitos de drogas como o
tabaco e a cafeína não são preocupantes por serem drogas
dito fracas, com controle de qualidade, sem uma
alteração do tropismo psicológico, apesar de
influenciarem no equilíbrio orgânico como comentado
pelos escaladores.
Já as drogas ilícitas e incluindo
o álcool, são substâncias que para a maioria, quando
utilizadas, seus efeitos não condizem com a
disponibilidade física e psicológica para tarefas como
dirigir, estudar, trabalhar e principalmente a prática
de qualquer esporte de aventura como a escalada.
Um pequena parte dos surfistas,
relataram que apesar de sentirem os efeitos de drogas
como o álcool e a maconha, já estão acostumados com a
drogas e apenas utilizando uma grande quantidade destas,
não conseguiriam realizar tarefas como dirigir ou
praticar algum esporte em que já teriam um certo
domínio.
Quando perguntado aos surfistas
se este poderiam indicar aproximadamente o percentual de
praticantes deste esporte usuários de drogas ilícitas,
obteve-se o percentual de 71% a 90% como o maior número
de sugestão para a quantidade de surfistas usuários de
drogas ilícitas. A maconha foi afirmada por todos os
participantes, como a droga utilizada com mais
frequência.
Questionou-se a todos os
surfistas entrevistados, se estes poderiam descrever
como ocorria o uso de drogas pelos indivíduos usuários
no momento do surfe e se poderiam dizer por quais
motivos isto ocorreria.
As opiniões dos entrevistados não
usuários de drogas, baseiam-se em informações sobre
drogas que estes tiveram conhecimento nas escolas, em
suas casas, pela mídia etc, e experiências que eles já
tiveram com as mesmas; mais principalmente pela
experiência que eles têm no esporte e por observarem
como agem os surfistas que utilizam a droga no surfe,
até por manterem contato com alguns deles. Notou-se que
entre esse grupo as justificativas apresentadas para que
os escaladores usassem a droga, em nenhum momento levou
em conta os possíveis efeitos positivos que esta
substância poderia proporcionar aos praticantes. Este
autor acredita que este seja um reflexo das campanhas
educacionais que condenam o uso de drogas fazendo com
que as pessoas criem aversão a estas substâncias.
Os surfistas que utilizam a
maconha somente fora da escalada, além de saber dos
efeitos da droga, 10 destes indivíduos surfam ou já
surfaram com surfistas que utilizam maconha durante a
surfe, justificando suas respostas.
Os surfistas que surfam
utilizando a maconha justificam esta prática
argumentando principalmente a inalteração da sua
performance, o hábito de utilizar a droga em qualquer
ocasião, por já esta acostumado e adaptado com os
efeitos da droga e pela maconha lhe proporcionar um
prazer físico e psicológico.
Nas opiniões dos surfistas em
relação ao uso de drogas no surfe, muito diz respeito a
sua realidade, onde os surfistas não-usuários, na sua
maioria acham este fato incompatível à prática do surfe,
por motivos como o risco de acidentes, a popularidade do
surfista, e a própria essência do esporte, sendo que
muitos afirmam que se forem respeitados, também
respeitaram os atletas usuários.
Escaladores usuários da maconha
somente fora do surfe, acham este fato normal, porém
alguns deles não se sentem bem surfando com uma pessoa
sob o efeito da droga, por possíveis acidentes. Esta
preocupação em escalar com alguém chapado coloca em
cheque o fato deste afirmarem como normal esta situação.
Os surfistas que usam a maconha
no surfe acham normal, e que cada um deve ter
consciência do que faz e do que pode fazer. Ressalta-se
que a maioria deles utilizam a droga depois do surfe,
onde alguns têm receio de surfar com alguém sob o efeito
da droga e sugerem seu uso bem antes ou depois do surfe
em um local seguro.
Na primeira etapa deste estudo
que verificou o uso de drogas ilícitas entre praticantes
de surfe, constatou-se que 57,5% (19) dos surfistas de
um total de 100% (33) participantes, utilizavam somente
maconha antes, durante e após o surfe. Para finalizar a
entrevista nesta segunda etapa do estudo, perguntou-se a
cada participante qual era a sua opinião pela razão do
uso apenas da maconha.
Os participantes elegeram como
principais motivos o fácil acesso a esta droga que hoje
é utilizada em larga escala por jovens e adultos. Um
outro motivo alegado foi o baixo preço na qual esta
droga é comercializada por traficantes e a influência
social que esta droga sofre e causa na atualidade.
Na opinião de alguns
entrevistados, um outro fator que pode estar motivando o
uso da maconha por surfistas durante sua prática é a
existência de uma relação desta droga com a natureza,
relação esta elaborada pelos próprios surfistas que
praticam seu esporte no meio natural.
Um depoimento concebido durante a
primeira etapa deste estudo, via correio eletrônico por
um dos maiores surfistas da Bahia que não quis ser
identificado na pesquisa e não fez parte da amostra,
conta: "Aqui
em Salvador a galera que surfa tá meio com o filme
queimado, pois todo mundo associa o surfe a maconha"; como
a figura dos surfistas em todo o Brasil, que já foram
conhecidos como maconheiros, generalizando até os
atletas que não fazem uso de nenhum tipo de droga.
Conclusões
O número de usuários de drogas
lícitas e ilícitas entre os surfistas é significativo,
considerando o número de 59 usuários de drogas entre os
93 surfistas pesquisados.
As drogas lícitas utilizadas
pelos surfistas no momento da prática são o álcool, a
cafeína e o tabaco.
Os motivos que levam os surfistas
a consumirem estas drogas, é o hábito de utilizarem tais
substâncias como a cafeína em bebidas como o café ou
energéticos, o cigarro pela dependência e o prazer
proporcionado, juntamente com o fato de tais substâncias
não alterarem o equilíbrio psicofísico e
consequentemente não proporcionarem malefícios a sua
performance. O uso do álcool no surfe foi citado por
dois surfistas, porém com uma baixa frequência e sempre
depois da prática do surfe.
A droga ilícita utilizada pelos
surfistas no momento da prática deste esporte é a
Maconha.
Os motivos para o uso da maconha
durante o surfe, é a sensação de bem-estar que a droga
lhes proporciona, como o relaxamento e o ambiente
favorável em que o surfe é praticado. Alguns surfistas
utilizam a maconha para uma melhora no seu desempenho
físico e psicológico.
É importante considerar que a
maioria dos surfistas que utilizam a maconha no surfe,
fazem este uso com maior frequência depois da prática da
modalidade, diminuindo as chances de um eventual
acidente. Não se pode dizer também que a maconha possa
ser responsável por eventuais acidentes que cada
surfista está sujeito a vivenciar, pois acidentes fazem
parte de qualquer atividade do dia-a-dia, porém, quando
ocorre o uso da maconha ou de qualquer outra droga que
altere a homeostase, antes e/ou durante a prática do
esporte, as chances destes eventuais acidentes
acontecerem são bem maiores.
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