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Musculação sob medida constrói o indivíduo
O texto a seguir apresenta equilíbrio quando é administrado por
profissionais diplomados e comprometidos com a realização de um
trabalho consciente, para não permitir que o aluno passe da
proposta de um treinamento de fortalecimento muscular para a
vaidade do corpo esbelto e avantajado. Observando ainda, que a
criança, o adolescente e o adulto não precisam ingerir produtos
de suplementos alimentares, a não ser sob prescrição médica. A
musculação para surfistas torna-se contraproducente à medida em
que o indivíduo passa a fazer halterofilismo e ganha massa
muscular, tornando-o uma pessoa pesada e lenta para a prática do
surfe.
Marco Monteiro
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Atividade física não é moda, é necessidade
O treinamento de força (musculação) para crianças
e adolescentes ainda parece ser muito controverso para muitos
profissionais da saúde, como médicos e educadores físicos. A
causa dessa controvérsia deve-se justamente ao fato de muitos
desses profissionais estarem desatualizados, pois nos últimos
anos muitas pesquisas têm demonstrado os verdadeiros efeitos de
um programa de força para crianças e adolescentes quando é bem
administrado. Os estudos mais antigos constantemente
questionavam a segurança e eficiência de um treinamento de força
para essa faixa etária, mas novas evidências têm indicado que
tanto crianças quanto adolescentes podem aumentar a força
muscular sem aumentar o diâmetro muscular em consequência de um
treinamento de força com pouco peso (GUY & MICHELI, 2001;
FAIGENBAUM et al, 1999). Os riscos de um treinamento de força
bem orientado e individualizado são praticamente nulos (BLINKIE,
1993), enquanto vários benefícios podem ser obtidos mediante o
treinamento com pesos moderados.
Benefícios do treinamento de força
Subir em árvores, brincar de carrinho de mão e jogar bola são
exemplos de atividades comuns na infância e que podem acarretar
lesões, certamente essas atividades tem muito mais impacto e são
muito mais passíveis de lesões do que um treinamento dentro de
uma sala de musculação. A maioria das crianças pode se
beneficiar com os programas de treinamento de força, no que diz
respeito a melhora do condicionamento físico e desempenho nos
esportes ou para reduzir a probabilidade de lesões em atividades
esportivas ou recreativas (FLECK & KRAEMER).
Um programa de exercício eficiente e seguro é necessário para
tratar doenças crônicas (ex. obesidade) na infância (SOTHERN et
al, 2000). O treinamento de força tem sido adotado como forma
segura e eficaz nos programas para redução de peso em crianças e
adolescentes (SCHWINGSHANDL et al, 1999). Em um estudo realizado
na Universidade de Louisiana, os pesquisadores utilizaram a
musculação num programa para redução de peso corporal em
crianças. Houveram mudanças significativas na composição
corporal (redução de peso e % de gordura) e nenhuma lesão foi
reportada nessa pesquisa (SOTHERN et al, 1999). O
desenvolvimento ósseo das crianças também é afetado
positivamente em função do treinamento com baixos pesos.
Quantidades aumentadas de fibras colágenas e sais inorgânicos
são depositadas nos ossos como resposta a tensão muscular,
coeficiente de tensão e compressão. Essa melhora da densidade
óssea pode ser importantíssima na prevenção da osteoporose.
Crescimento e maturação
Ainda é comum vermos pseudo-especialistas e leigos afirmando que
a musculação pode atrapalhar o crescimento, e sempre associam
que a baixa estatura de ginastas é proveniente do treinamento
com pesos. Em verdade a baixa estatura de ginastas e elevada
estatura de atletas de voleibol e basquetebol está simplesmente
relacionada a seleção natural de talentos. Ou será que os
Jóqueis são baixos porque andam excessivamente de cavalo? Claro
que não, da mesma forma que o ginasta tem uma facilidade por ser
baixo e leve, o jóquei também se beneficia da baixa estatura e
pouco peso. Um crescimento ideal e a maturação sexual dependem
do potencial genético, estado nutricional e uma série de
hormônios (ROEMIMICH et al, 2001).
Diversos estudos realizados com atletas de ginástica olímpica
tem demonstrado um RETARDAMENTO do crescimento e da maturação em
atletas do sexo feminino. Um estudo interessante feito por
Georgopoulos et al em 2001, analisou 104 ginastas do sexo
feminino. Os autores identificaram um retardamento do
crescimento durante a fase em que as atletas treinavam
intensamente, porém compensado com um crescimento normal e
acelerado após uma diminuição dos treinamentos. Muitas vezes
esse crescimento chegou a superar a predisposição genética. Esse
crescimento retardado está totalmente relacionado com o excesso
de treinamento intensivo e principalmente a dieta inadequada que
as ginastas são submetidas, uma vez que esse retardamento não é
observado em atletas do sexo masculino (WEIMANN et al , 2000;
ROGOL et al, 2000). Ginastas do sexo masculino não são
incentivados a manter uma baixa ingestão calórica.
Considerações finais
O treinamento de força em crianças e adolescentes era
inicialmente contra-indicado pois, os primeiros estudos
publicados foram incapazes de demonstrar ganhos em força ou
outro benefício qualquer, porém estes estudos perderam sua
credibilidade pois utilizavam treinamentos de força mal
elaborados além de planejamentos experimentais insatisfatórios.
As evidências atuais demonstram que tanto crianças quanto
pré-adolescentes se beneficiam do treinamento de força, apesar
de terem pouco favorecimento em relação a massa muscular. Apenas
um estudo publicado até hoje mostrou ganhos significativos de
hipertrofia (*****UNAGA et al , 1992), talvez isso deve-se ao
fato da dificuldade de realizar um estudo por um longo período
de tempo. A partir de observações empíricas nota-se que crianças
que são submetidas a um treinamento de força prolongado, tendem
a tornar-se mais resistentes a lesões. O que deve ficar bem
claro para o leitor é que musculação não é halterofilismo. E
suplemento alimentar só deve ser usado por prescrição médica. Um
jovem em fase de crescimento deve alimentar-se com produtos
naturais, sem ter passado por transformações em indústrias, não
ingerir anabolizantes e não ser motivado pela moda do corpo "bombado"
que não passa de um ato agressivo a si próprio e vaidoso.
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