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Nossos conceitos precisam ser reavaliados
Por
Marco Monteiro
Ainda há tempo para MUDAR. Só precisa aparecer
um Cristo salvador.

O
momento é de renovação. Estamos no terceiro milênio
segundo o calendário ocidental, criado após o maior
acontecimento que marcou a humanidade - o nascimento de
Jesus Cristo. O que resultou na unificação das
crenças em um só
Deus no planeta Terra, dando origem ao Novo
Testamento.
A partir daí, no calendário que registra os
acontecimentos da história e do Antigo Testamento,
passou-se a usar a sigla (a.C. - Antes de Cristo),
como os senhores bem sabem.
Estamos usando esta explicação de forma superficial, para
que todos entendam que, Jesus Cristo, nasceu e
morreu no Oriente Médio que, na época, vivia sob o
governo de Roma. O movimento do Cristianismo foi
ganhando espaço e levado para o centro da civilização
propriamente dita, na época, que era a Europa.
Pois
bem:
tudo no mundo muda, até as crenças religiosas que,
antes de Cristo, na Grécia e na Roma antiga, que
eram fundamentadas em diversos deuses, ficaram
restritas a um só Deus.
Embora existam diversas religiões, mas todas elas
convergem a um único Deus, o que comprova que a
centralização é necessária para manter a ordem das
coisas.
Como o tema religioso é muito teórico e polêmico,
não nos aprofundarmos neste assunto, pois nosso
interesse foi usar o exposto inicial como introdução
para a seguinte reflexão sobre a política atual do
esporte de competição no mundo que teve também um
marco na história,
com as Olimpíadas que surgiu na Era
Antiga, aproximadamente 2500 a.C., quando os gregos
realizavam festivais em honra a Zeus. Conta a lenda
que os Jogos foram criados por Hércules, que plantou
a oliveira de onde eram retiradas as folhas para a
confecção da coroa dos vencedores.
Em tempos atuais, as Olimpíadas saiu dos jogos violentos
promovidos na Grécia e Roma antiga, para a prática
dos jogos unificadores com o
intuito de apaziguar os povos através do esporte.
O esporte é como a religião. Existem
os fanáticos e os moderados. E todos são regidos por
uma ordem maior.
Em
nossos dias a prática esportiva divide-se em duas
propostas políticas. A primeira é benéfica à saúde
quando é praticada com fins profiláticos. Já a
segunda proposta esportiva torna-se nociva ao
indivíduo quanto é praticada como competição e
quebra o protocolo das relações amistosas entre os
seres humanos.
Hoje, constata-se a segunda proposta política do
esporte como uma empresa, cuja única intenção é o
lucro. A marca Nick, por exemplo, fechou uma
parceria com o Esporte Clube Bahia para o ano de
2012, objetivando vender 5 milhões de camisas do
Bahia.
Agora pensem os senhores que vão comprar
estas camisas: quem vai ganhar com isso? Quem achar
que é o Bahia, em tese está certo, mas não é. Quem
achar que vai ser a Nick, pode ter certeza que esta
marcar vive exclusivamente de vendas de produtos,
não está nem aí para os sentimentos dos torcedores.
Se tivesse não venderia camisa, traria Neymar e
outros bons jogadores para o Bahia levantar o título
nacional em 2012.
Entrando no mundo do surfe, o que vemos não é
diferente. Quando uma empresa patrocina uma
competição de surfe ela não está interessada em
saber se as condições socioculturais do esporte vão
melhorar com este patrocínio. A empresa investidora
está querendo é divulgar sua marca de forma barata para aumentar as
vendas do seu produto.
Quando um surfista põe um adesivo na prancha, está
trabalhando gratuitamente para uma empresa qualquer.
Tipo os jovens que distribuem panfletos nas
sinaleiras. A diferença é que os jovens dos
panfletos são remunerados, enquanto que, os jovens
dos adesivos nas pranchas não ganham nada.
Envergonhado, é claro, com as safadezas políticas
que vivem de formas imperceptíveis nas entrelinhas
dos negócios e
com as falcatruas que temos que viver em silêncio,
já que alertar os desenformados é uma tarefa árdua e
complicada, temos que fazer vistas grosas o tempo
todo.
Em tese é salutar a prática esportiva
não-competitiva
dos surfistas que simplesmente curtem o mar como uma
opção profilática.
Enquanto que, repito, aqueles
que buscam nas competições aumento da adrenalina,
reconhecimento pessoal e recompensas financeiras correm o
risco de sofrerem insatisfações e, por fim, passarem a
ter uma ojeriza da atividade que praticam.
Mais cedo
ou mais tarde, todos que praticam atividades
esportivas competitivas vão perceber que “inexplicável e
absolutamente estão fora do lugar” prazeroso da
prática salutar que é o surfe de lazer.
Mas, como foi dito anteriormente, tudo na vida
requer organização. O nosso surfe não está de fora
deste contexto. Para melhorar o lado competitivo do
surfe é necessário desconstruir este sistema que
consideramos como se fosso o Antigo Testamento e
refazermos a história a partir de uma nova era.
Ainda há tempo para isso acontecer. Só precisa
aparecer um Cristo.
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