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Drogados e “drogadores”

 

                                                                                  A praia de Jaguaribe está livre do álcool. Por enquanto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A bela praia conhecida como Jaguaribe finalmente voltou a ser como antes. Sem barracas e devolvida a natureza. "Praia, que até o final dos anos 70, podia ser frequentada por qualquer pessoa sem correr o risco de sofrer um assalto ou se contaminar com o esgoto que hoje deságua daquele rio que, um dia, tomei banho e até bebi de sua água", disse Marco Monteiro

 

 

O rio que um dia foi limpo, hoje é poluidor

 

Os surfistas, ainda incipientes, se aventuravam em ir surfar na praia de "Placafor", hoje Jaguaribe. O nome "placafor" surgiu devido a falta de esclarecimento das pessoas que lá frequentavam. Elas viam escrito num outdoor uma propaganda da FORD e como não sabiam o que significava outdoor, liam e falavam "Placafor", mas o nome correto da praia é Piatã.

 

Quem ia de ônibus tinha que prestar muita atenção para não perder o ônibus de volta à cidade, senão corria o risco de ter que dormir na limpa areia da praia, que após um dia de sol intenso, rangia quando pisávamos nela, devido o atrito dos pés na areia.

 

Mas, no inicio dos anos de 1980, um projeto chamado Nova Orla Marítima do Salvador, destruiu toda a orla de Salvador. O resultado disso o senhores já sabem.

 

A nova Orla criada em 1980, pelo então prefeito Mário Kertész, produziu ao longo desses 30 anos uma legião de vítimas do alcoolismo. O leque de empregos que aparentemente acolheu uma centena de pessoas vendendo álcool em toda a Orla Marítima destruiu a vida de milhares de jovens e a de muitos donos de barracas, a maioria ex-funcionários do Pólo Petroquímico que saiam de seus empregos para viverem a doce ilusão de  ganhar dinheiro fácil na praia.

 

Com uma fiel clientela de jovens consumidores, os vendedores de álcool não se importavam com os resultados devastadores para a saúde deles, que consumiam exacerbadamente bebidas de todas as categorias alcoólicas, todos os finais de semana. Além da sugeria gerada pelos frequentadores das barracas emporcalhando as praias com detritos sólidos e dejetos orgânicos sem nenhum critério de higiene.

 

A cada cíclico de cinco anos os alcoólatras se renovam, apontam as estatísticas. As mortes causadas pela ingestão de álcool são causadas por doenças, acidentes ou crimes.

 

A geração dos anos 90 e 2000 mil, que está sendo incentivada pelas cervejarias que usam suas marcas como pano de fundo para patrocinar a transmissão dos jogos da Copa do Mundo formará uma nova geração de alcoólatras.

 

O slogan beba com moderação não é antídoto para impedir o alcoolismo. Quem ingeri álcool vai viver uma vida cheia de desconfortos devido ao uso dessa droga vendida e protegida pela Lei, como lícita.

 

Enfim, quem é o maior prejudicado nesta história: o drogado ou o “drogador”?

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