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Para Surfistas de Ponta



 

 

Onda Viva, resgatando o amadorismo

O Circuito Onda Viva dos Surfistas do Estado da Bahia foi transformado em uma competição cem por cento amadora, visando sociabilizar e educar, especialmente os iniciantes, através do incentivo a prática competitiva tendo como premiação medalhas ou troféus.

 

                                                               FOTO: Marco Monteiro


Leandro Parafina ainda tem todos os troféus,

 

A medida polêmica tenta resgatar o amadorismo no surfe baiano, que não chegou a ter e, a proposta vem causando mal estar entre organizadores e atletas, principalmente aqueles nascidos nos anos 90 para cá, que encontraram este modelo equivocado que misturou o surfe amador com o surfe profissional na criação dos circuitos PRO-AM realizados nas décadas de 70, 80 e 90, transformando o surfe amador um pouco profissional e o surfe profissional um pouco amador, resultado: deixaram de lado a base da educação que fundamenta o esporte amador e trata da formação do atleta.

 

Essas pessoas que se sentiram atraídas pelo lucro, tais como donos de lojas de Shoppings e fabricas passaram a divulgar amplamente seus produtos nos locais onde eram realizadas as competições e usaram os atletas do surfe como outdoors ambulantes e ainda usam.

 

Hoje, esses empresários não querem mais patrocinar nada, pois descobriram que, investindo na grande mídia ou fixar um pôster na porta de sua loja com a imagem de um surfista realizando uma bela manobra atrair o consumidor simpatizante da moda surfwaer, que é em maior número e se vestem iguais aos surfistas quando vão aos shoppings centers, aos bancos, aos mercados, à igreja, aos cinemas e até às repartições públicas como se estivessem indo à praia para surfar.

 

Para o surfista Ricardo Longo Bastos, 43 anos, que iniciou a prática do surfe aos 12 anos de idade, não viu evolução das entidades que se dizem organizadoras do surfe.

 

“-É preciso que aconteça mais o quê para salvar o surfe amador?”, pergunta Ricardo num e-mail a diversas lideranças empresariais e desportivas do surfe baiano.

O fator negativo foi que ninguém se preocupou, na época, com os resultados antipedagógicos e contraproducentes da misturar do surfe amador com o surfe profissional, culminando hoje na ideia errada que o atleta tem na hora de se inscrever numa competição de surfe ele vem com a pergunta na ponta da língua: qual é a premiação?

 

Justificando esta pergunta, eles se fazem de coitadinhos e dizem que passam o dia inteiro na praia de baixo do sol, gastam dinheiro com alimentação e querem ser recompensados com uma boa premiação. Mas, eles esquecem que todos os dias eles passam horas na praia surfando e não ganham dana além do prazer de estarem lá.

 

O que faz o congraçamento do atleta é o troféu e não uma peça de roupa ou um objeto (prancha e acessórios) que nunca coincide com o tamanho do manequim de quem recebe. E as pranchas conquistadas como premiações terminam sendo vendidas a preço de banana horas depois da competição.

 

Muitos desses “atletas” não passam das eliminatórias, mas querem saber qual é a premiação. Isto é hilário. Esse problema poderia ter sido eliminado através do campeonato estadual, mas foi fortalecido quando estipularam uma premiação padrão para cada categoria e taxas de inscrições diferenciadas.

 

Com a mesma atenção que um juiz avalia a categoria open, ele avalia a categoria infantil, não existe diferença, por tanto, o valor da taxa teria que ser igual para todos.

 

Qual a postura das lideranças diante desta situação? Como resgatar o espírito e o princípio básico do surfe amador que é a educação e tem por objetivo desenvolver a saúde física e mental e a integração sóciocultural dos indivíduos em formação? Como coibir as pessoas estranhas aos eventos fumarem maconha na área de competição como se o ato fizesse parte intrínseca da prática do surfe e fosse a coisa mais normal do mundo? Pelo que se sabe a norma ainda reprime esta ação.

 

A proposta do Circuito Onda Viva é conscientizar o atleta da importância da competição como fator de avaliação do desenvolvimento de suas potencialidades no esporte.

 

Com isso, estamos começando uma transformação saudável no incentivo à prática do surfe amador em nosso Estado e, contando com apoio de vários pais que militam na área de educação e têm filhos surfistas, os atletas Onda Viva ficaram mais conscientes.

 

Não vale a pena incentivar o jovem a participar das competições de surfe apresentando-lhe apenas o interesse em ganhar premiação (objetos), usando esta como uma isca para atraí-los, mas sim mostrar o quanto é importante a integração social do indivíduo através do esporte, especialmente as crianças e os adolescentes iniciantes na prática seja do bodyboard, longboard ou surfboard.

 

De um lado o educador, aquele que educa e, do outro lado, o educando, aquele que está sendo educado. O educador representado pelo adulto, quer seja nas famílias, quer seja nas escolas, quer seja na sociedade em geral.

 

As crianças entendem, os adultos têm o poder, elas precisam da proteção dos adultos, mas não a proteção possessiva e especulativa que ultimamente vem acontecendo em torno de crianças e adolescentes e de pais obsessivos por vitórias em todas as modalidades esportivas.


Os reais valores do surfe competitivo amador não existem mais no contexto esportivo e é imperativo que seja resgatado e devolvido aos jovens, pois tirar-lhes esse direito de integração salutar e colocá-lo em condições profissionalizantes é como se estivéssemos obrigando-os a dar saltos no seu desenvolvimento sócioeducativo. E a natureza não dá saltos.


Os atletas de surfe não são diferentes dos atletas de outras modalidades esportivas amadoras. Eles precisam de professores, alguém que possa orientá-los e tirar suas dúvidas. Por falta desse mestre eles sentem-se largados no surfe, achando que pode tudo.


Um bom momento para surgirem mais escolas (associações) de surfe com a finalidade de realizarem competições educativas em seus bairros e os atletas vencedores dessas competições disputariam o campeonato baiano de surfe promovido pela FBSurf.


Havendo esta seletiva o nível do campeonato baiano seria outro, com bons atletas fundamentados em técnicas, princípios e objetivos.


O axioma muito usado e pouco praticado que diz que, o esporte faz amigos e transcende as fronteiras, exemplo disso são as Olimpíadas, parece que não existe no mundo do surfe. O que se percebe é uma grande rivalidade e disputa de poder.

 

O bom humor faz uma combinação saudável com o esporte. A reação tem a ver com “levar as coisas na esportiva”.


Finalizando, esta é a proposta do Circuito Onda Viva e não significa essencialmente que seja a proposta salvadora do surfe, mas não vejo outra no momento melhor que a nossa. Não visa lucro, não pode ser comparado com outros circuitos de surfe amadores com características profissionais e tem cunho sócio, educativo e cultural, mas precisa de dinheiro para manter-se funcionando, por isso existe taxa de inscrição pagas pelos atletas.

 

Veja o ranking de pontuação Onda Viva 2010

 

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