Educação

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A polêmica da premiação

Marco Monteiro

Uma polêmica foi levantada com o Circuito Onda Viva de Surfe a respeito da premiação: a premiação é ou não é importante para a vida futura do indivíduo em fase de desenvolvimento psicofísico?

O projeto Onda Viva foi lançado como proposta pedagógica e discute-se que o indivíduo em fase de formação na construção social, psicológica e física é influenciável quando uma cultura estabelece uma relação entre ele e o meio.

Por levantar este questionamento posso ser criticado de uma forma ou de outra.

A competição para os níveis básicos da formação do indivíduo requer uma série de recomendações básicas e esclarecimentos tático/técnico. A competição nessa fase não pode ser antipedagógica e nem contraproducente comparada as de nível profissional.

A competição na fase inicial da vida do indivíduo é preparar a criança e o adolescente através de regras e normas construídas para que eles passem por momentos de pressões psicofísicas.

E só através destas situações as crianças e os adolescentes poderão enfrentar as adversidades futuras do cotidiano na idade adulta, sem sofrerem os riscos de entrarem em depressões diante dos problemas intrínsecos que todos nós passamos em algum momento de nossas vidas, como a perda de um emprego, enfrentar um concurso, a separação da pessoa amada etc..

O papel da competição até os 18 anos da vida de um indivíduo tem como base o lúdico com propostas pedagógicas e não a premiação como recompensa.

O esperado da competição propriamente dita deve fortalecer a criança e o adolescente como um todo (física, psíquica, social e cultural).

Pedro, capítulo 1, versículo 7 = “Essas provações testam sua fé pra ver se ela é ou não forte e pura. A fé é testada como o fogo testa o ouro e o purifica. E sua fé é muito mais preciosa para Deus do que o ouro. E sua fé permanecendo forte depois de ser testada, vai lhe trazer muito louvor, glória e honra.”

Assim devem ser realizadas as competições amadoras dentro ou fora da escola, testando a fé do indivíduo nele próprio e como recompensa o símbolo maior que é o troféu e não uma peça de roupa.

É desta forme que o professor habilitado deve orientar o aluno. Caso ele ganhe, deve comemore e ficar feliz, mas também sentir-se triste, porque seu adversário foi derrotado.

Mas, quem orienta um jovem surfista se ele não tem um mestre?

Leandro Alberto (Leandro Parafina)

A maneira como as competições de surfe vem sendo realizadas contrariam a construção esperada pela pedagogia, pois, é contraditória em relação a outras modalidades esportivas, tais como as artes marciais (todas) e os esportes olímpicos em geral, que buscam educar o indivíduo.

Apesar de suas contradições, a nova Lei de Diretrizes e Bases de Educação Nacional (Brasil 1996), abre espaços para a construção de uma escola comprometida com a cidadania e com a rejeição à exclusão.

O que se percebe no surfe competitivo amador é que um equívoco danoso vem se repetindo há décadas e que se fundamenta em vários aspectos administrativos inconcebíveis.

O primeiro: o que é associação? Como elas são criadas? Por que são criadas? E quem gere uma associação, os sócios ou uma pessoa só?

O segundo: o que é federação? Como elas são criadas? E quem gere uma federação, uma pessoa só ou um grupo de associações?

O terceiro: o que é confederação? Como elas são criadas? E quem gere uma federação?

O quarto: a vida solta de um praticante de surfe.

Tudo isso caracteriza que o surfe é uma atividade esportiva sem regras. Terra de ninguém, poeticamente falando. Sem regras porque o praticante de surfe tem acesso gratuito ao mar.

Terra de ninguém porque não existe uma política de educação, escola onde o indivíduo tenha que pagar mensalidade e nela receba instruções técnicas e comportamentais como acontece nas demais modalidades esportivas.

Esta facilidade de qualquer um surfar é o grande vilão da complexa e caótica situação que culmina na premiação.

Por falta de um mestre, o surfista fica largado e passa a ser regido por pessoas sem conhecimento pedagógico, sem nenhum compromisso social, embora diga que tem. Não se ver conteúdo pedagógico nas competições, nos surfes treinos nem nas escolinhas de surfe.

Mas, o que torna este relatado verídico é a pergunta dos surfistas: QUAL É A PREMIAÇÃO? E conforme a premiação o competidor avalia se é cara ou barata a taxa de inscrição.

Bem, os surfistas desfrutam o mar o ano inteiro de graça. Não pagam mensalidades como os outros praticantes de atividades esportivas e ainda questionam o valor taxado numa competição.

As associações por sua vez não têm sócios pagando anuidades. Associação sem sócios não é associação.

É preciso urgentemente que as associações adotem como princípio ético ter um quadro social para que os sócios passem a exigir do presidente eleito por eles, que administre a entidade de forma que a educação seja a garantia dos direitos e deveres e que os conduzam a construir a cidadania, a política da igualdade, a solidariedade e a ética da identidade associativa. E por último, que as associações passem a controlar as federações que têm o papel de representá-las.

Mesmo entendendo que o mecanismo administrativo associativo é uma alavanca de potencial limitado para a conquista de objetivos que afetam valores e comportamentos enraizados nos desvios da conduta competitiva do surfe, acreditamos que existe a possibilidade de ampliação de espaços para a construção de relações não-hierarquizadas de cima para baixo, mas sim, de baixo para cima: sócio, associação, federação e confederação. Esta é a ordem racional da pirâmide, caso contrário só Verossimilhança existirá.

Resumindo:

Outro dia um garoto de 16 anos me perguntou através do MSN se eu podia ajudá-lo a fazer uma tarefa de química. O dever escolar era apresentar uma experiência na sala de aula. Então, disse a ele que pegasse um pequeno saco plástico e acendesse o ar de dentro do saco com uma vele. E depois de alguns instantes, fechasse a boca do saco e o soltasse. O ar aquecido faria o saco subir como um balão. Caracterizaria um trabalho de química, o ar quente sobe enquanto o ar frio desce. O garoto achou a experiência muito simples. Disse que era ridícula. Não sabendo ele que este foi o principio da invenção da máquina a vapor James Watt e que revolucionou a indústria no planeta. O surfe pode ser revolucionado. Mas, faltam mentes abertas para receberem a luz.

 

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