Educação

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Falta respeito e educação no surfe

 

CONTRIBUIÇÃO DO SURFE PARA A INTEGRAÇÃO SOCIAL "DESDE A INVENÇÃO DA RODA QUE A CARROÇA ERA PUXADA PELOS BOIS, POR ISSO ELA ANDAVA. HOJE A COISA ESTÁ INVERTIDA"

Por Marco Monteiro

            O surfe, na sua concepção original, destinava-se ao lazer do indivíduo no qual ele desafiava a natureza, desenvolvendo habilidades e fortalecendo seu conjunto de valências físicas (músculos, coração, pulmões e mente), com manobras, às vezes suaves outras vigorosas como acontece ainda hoje.

                                                                                                                             O que leva um atleta a fazer isso?

O círculo restrito de praticantes, ditado pela prazerosa característica inicial, evoluiu para uma ampla difusão, destinada a atender a nossas situações, ocorrentes na vida cotidiana, como a competição com características semelhantes às primitivas e o esporte de lazer.

Mas foi em consequência do surgimento das competições especulativas economicamente dita, sobre tudo nestas, que se revelou uma série de recursos que o surfe propicia ao indivíduo tal qual os outros esportes, à disposição da formação integral do surfista, nos campos do desenvolvimento da inteligência, da força de vontade, no ensino de um espírito cavalheiresco, humano e moralizado no convívio social sadio.

Assim é transmitido o surfe das escolinhas por professores de educação física e outros mais sensíveis ao respeito e educação aos praticantes do surfe de competição.

Com esta nova orientação no trabalho em escolas de surfe com os professores de educação física, obedecendo à visão holística de educação (formação completa da personalidade). Apesar da intensidade desta corrente, determinados setores insistem ainda, com certo ativismo, em interpretar literalmente o espírito que é, por assim dizer, eterno e independente da mudança de contextos do surfe sem professor, aprendido de forma errada e mantido como se fosse o ideal. Dentro desta posição de ireflexibilidade, enfatizam o aspecto físico e técnico do surfe e retiram de cena os objetivos válidos e possíveis de operacionalização a que atrás nos referimos - a integração social.

Estribados nesse ponto de vista limitado, esses mesmos setores minimizam ou esquecem o potencial de incontrolada agressividade que se pode abrigar em alguns seres humanos. Longe de contribuírem para a formação integral de personalidades racionais e equilibradas, estão, com sua omissão, consciente ou não colaborando eventualmente para a criação de brutamontes irresponsáveis e até perigosos, que sem freios morais, e sem sentimentos humanos, agem irracionalmente, sob o domínio de certos instrutores sem a devida qualificação pedagógica, visando apenas o lado financeiro das competições. E muitos adolescentes por não conhecerem os valores reais das competições seguem fundamentados numa educação equivoca que não contribuem, decerto, para a convivência social pacífica e deterioram, ainda mais, o ambiente de violência em que vivemos.

            Já no pensamento não-contemporâneo, se havia proposto um modelo de educação, que não se fundisse apenas no aspecto corporal, mas que se estendesse ao cultivo da mente. Em suas pesquisas sobre a educação física, a educação moral e intelectual, Spencer dizia que o corpo e a alma devem cultivar-se simultaneamente. Em Roma, pregavam: "Mens sana in corpore sano". E Platão, o filósofo dos séculos, afirmava: Não somos nem espírito nem alma, mas um conjunto de ambos. Por isso, não devemos esquecer que o homem é esta combinação de animal mais espírito.

Apesar de seu valor, a tradicional fórmula da cultura do físico, aliada à procura do espiritual, não encerra senão embrionariamente a totalidade dos objetivos, tanto o surfe atenta a filosofia que este esporte ostenta em nossos dias como da educação em geral.

O surfe autenticamente moderno obedece, como já notamos neste artigo, a uma perspectiva global de objetivos a que chamamos educação integral, em que se evita o direcionamento dos treinamentos para determinado objetivo isoladamente. Assim, aos dois elementos do pensamento tradicional, corpo e espírito, vem juntar-se um elo fundamental que completa a trilogia do ensino do surfe atual nas escolinhas: - o aspecto social.

(O homem sendo educado não apenas para o seu ego, mas também para a consciência e para o espírito do grupo, do meio ambiente, da vida comunitária, da sociedade). Eis o que podemos visualizar no surfe: a educação integral, onde percebemos o ser humano nos seus aspectos animal (cultura física), racional (intelecto, moralidade, vontade) e social (adaptação do animal mais racional a um perfeito enquadramento social).

A preparação física, a educação moral e a preparação intelectual se correlacionam, servindo de base para o aspecto social, embora nada impeça que o consideremos à parte, para analisar sua fundamental importância.

Sendo a vida em grupo um imperativo da vida do homem, ser racional, adotamos, por convicção e conveniência, baseados na lógica, princípios e convenções de conduta (a moralidade, na sua variedade de concepções, as normas do relacionamento social, a indumentária).

O progresso, o desenvolvimento, as associações, os clubes, as escolas etc, são fatores sociais nos tempos de hoje, que nos fazem mudar.

Como poderemos aceitar ou conceber que o surfe seja transmitido apenas para tornar o indivíduo um atleta extremamente arrogante, mal-educado, trata a gente com indelicadeza, não valoriza a atividade a qual pertence e se preocupa pura e simplesmente com o cultivo exclusivo do físico, do ego, do eu isolado, sem finalidade social?

Acredito que a atividade física denominada surfe deveria objetivar, em primeiro lugar, o confronto do corpo: a conservação da saúde, o alívio do stress (com o relaxamento muscular), um perfeito sistema cardiovascular e um bom preparo físico.

Em segundo lugar, a preparação da parte técnica do esporte, para agir como profilaxia, como também para alcançar vitórias nos campeonatos.

Cabe, porém, observar a todos, sem exceção, que se dedicam a um esporte e nela aspiram à vitória, que, em relação aos objetivos supracitados (saúde, técnica, competições), quer como meio de consecução delas, quer como efeito da prática esportiva, quer como objetivo transcendente, é de fundamental importância.

Além dos aspectos expostos, há a frisar o da moralidade, que vai trazer à tona a personalidade do praticante.

Analisando o aspecto social, podemos considerar:

            - um grupo de pessoas que observam uma competição, para ver, sentir e aplaudir o atleta;

            - o comportamento do atleta para ver, sentir e receber a reação do público (negativa ou positiva);

            - a perfeita harmonização de impulsos emocionais; 

           - a perfeita demonstração de que o indivíduo se evidência aos companheiros definindo sua presença em constante evolução no modo de agir, de ser e de apresentar o que cultiva através dos exercícios físicos de preparação e da força do equilíbrio, inteligência, a propósito do que surgem os termos performance, aptidão física, equilíbrio, agilidade, destreza, etc..

E por quê?

Porque o ser humano nada representa sem a comunicabilidade, sem o entrosamento social. O que pode ser conseguido através das competições tendo à frente profissionais credenciados.

Aos poucos, essas atividades tornam o indivíduo um homem respeitado e que, através dos esportes, dos exercícios e da recreação, adquire uma educação integral, podendo sadiamente constituir-se numa pessoa completa dentro da sociedade.

Através destas soluções para quebrar resistências nas competições, vai-se preparando o indivíduo para quebrar outras resistências na vida real e na prática.

Este é apenas um dentre os exemplos do aspecto social do surfe e de todos os demais esportes.

COMENTÁRIOS

Diego: 20:11 - 10/04/2011

Enquanto pessoas se preocupam para a valorização do esporte tão espiritual que é o surfe,outras esquecem seus valores, e um principio básico. "RESPEITO"

 

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