Um
estudo pioneiro
foi realizado durante a segunda etapa do Circuito Onda Viva dos
Surfistas do Estado da Bahia, para
saber como os
atletas de surfe se comportariam em participar de uma competição
sem a tradicional premiação (quites de roupas ou acessórios),
recebendo apenas medalhas.
Para dar
início ao estudo perguntou-se a vinte surfistas que vivem
focados em competições, com idade entre 13 e 30 anos, o que eles
acham mais importante na competição, se os quites com roupas e
acessórios ou as medalhas e os troféus.
A resposta da
maioria fundamentou-se no óbvio, medalhas e troféus.
A segunda
pergunte feita a eles: você participariam de uma competição
recebendo apenas como premiação medalhas ou troféus?
30% dos
entrevistados disseram que não participaria, a outra parte disse
que participaria, mas achava que deveria haver premiação além
das medalhas.
Fundamento do estudo
O estudo
baseou-se em outras modalidades esportivas que não premia,
obrigatoriamente, o atleta vencedor a não ser com medalhas ou
troféus, os três primeiros colocados.
Nas lutas
marciais os atletas saem das competições cheios de hematomas,
mas voltam para suas casas felizes da vida levando uma medalha.
O mesmo
acontece no xadrez, no tiro ao alvo, no kart, no tênis, na
natação, no arco e flecha, no futsal enfim, em todas as
competições praticadas individualmente o vencedor ganha sempre
uma medalha ou um troféu, enquanto que nas competições coletivas
é dado um troféu para toda a equipe ou às vezes uma medalha para
cada um dos componentes no final da temporada.
Aplicativo do estudo
Durante a
competição foram observados a conduta e o interesse individual
dos atletas, ficando comprovado que o atleta do surfe agiu de
duas maneiras distintas em relação à competição sem premiação.
Na primeira
observação ficou claro, que somente os atletas que se consideram
“profissionais”, mesmo sem ser, deixaram de participar da
competição que só ofereceu medalhas até o terceiro colocado,
porque eles perderam o espírito esportivo que foi substituído,
como fatores motivadores, as premiações em objetos que se
transformam em dinheiro logo após as competições.
Ainda dentro
desta primeira observação, constatou-se também que uma parte dos
atletas que se consideram de alta performance acharam estranho a
falta de premiações mas, mesmo assim, eles participaram da
competição sob protesto e, alguns, usaram como argumento para
camuflar a sua não participação, a taxa de inscrição, dizendo
que deveria ser bem menor, uma vez que não haveria premiação.
Para
convencê-los, a organização do evento apresentou a justificativa
que, as despesas com a competição sem premiação são as mesmas
despesas de uma competição com premiação e alguns deles
terminaram convencendo-se e participaram do evento.
A segunda
observação comprovou que a maioria dos competidores, desta etapa
do Onda Viva, manteve o espírito de competitividade natural do
ser humano e sentiram-se felizes em vencer e ganhar uma medalha.
Notou-se
também que a competição não perdeu o clima tenso das reclamações
de alguns atletas que lutavam pelas primeiras colocações em suas
respectivas categorias.
Sintetizando o
estudo, o atleta que se considera profissional corre as
competições amadoras em busca da premiação, seja ela roupa,
prancha ou acessório, mas no fundo ele é um frustrado
esportivamente falando, devido à falta de oportunidade para
participar de competições profissionais e viver dessa atividade.
Os demais
atletas que participaram da competição apresentaram um
comportamento meio profissional e meio amador ao que concerne ao
procedimento de seus desempenhos nas baterias, tipo procurar
saber as notas que receberam, questionaram a competência técnica
dos juízes, a forma de sorteio das baterias etc.
Ficou nítido
também que os atletas meio profissionais não gostam de ser
fotografados no pódio usando lycras com marcas que não são de
seus patrocinadores.
O estudo
constatou ainda, que o atleta surfista não é emocionalmente
diferente dos demais atletas de outras modalidades esportivas.
Mais uma vez a
educação física dando sua contribuição através de pesquisas
comportamentais para a evolução do esporte amador.
O estudo não se encerre nesta
publicação, ele será detalhado em vários itens considerados
importantes para a formação técnica de um atleta de surfe e
deverá ter em média 100 páginas e transformado em livro para
estudo científico.
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Marco
Monteiro é
profissional de educação física com três trabalhos realizados na
Faculdade de Educação, departamento IV da UFBA - Universidade
Federal da Bahia, onde desenvolveu técnicas didático-pedagógicas
para o ensino de caratê a pessoas portadoras de cegueira.
Didática de ensino de Artes Marciais para crianças, jovens e
adultos da terceira idade. Os trabalhos foram publicados em dois
livros: 1º livro, Introdução à Didática das Artes Marciais,
editado pela editora Marchete em 1994 (BA) e o 2º livro, Como
Ensinar Caratê a Cegos, publicado pela editora Escala em 1998
(SP), com distribuição nacional. Criou o Dia das Artes Marciais,
Lei municipal nº. 4.960/1994/BA.