Tubarões existem em todo o litoral baiano
Qualquer região litorânea de mar aberto (sem
barreiras de corais ou arrecifes) pode sofrer a visita desses
predadores. Entretanto, deve-se levar em conta muitos outros
fatores que envolvem um ataque de tubarão a seres humanos:
região em desequilíbrio ecológico (cadeia alimentar), por
exemplo.
A notícia: Tubarão
ataca na Bahia
Os
surfistas de Salvador estão cada vez mais assustados com as
constantes aparições de tubarões no litoral da capital e também
do norte baiano. No último domingo, o susto foi ainda maior.
Diversos surfistas pegavam onda na praia do Forte, quando um
tubarão com cerca de 2,5 metros tentou atacar o surfista e
médico anestesista Afrânio. Para a sorte de Afrânio, que remava
de volta após ter pegado uma onda, o animal acertou a prancha e
não causou ferimentos ao surfista. "Tomei um grande susto. Senti
uma forte pancada e capotei junto com a prancha. Ainda vi o
bicho passando por mim depois que acertou a prancha. Graças a
Deus ele não me atacou, foi um alívio muito grande", conta.
A cena foi presenciada por todos que estavam na água, como o
surfista Adrian Vilas Bôas, que estava muito próximo a Afrânio,
relata o desespero geral. "Entramos todos em pânico e foi uma
gritaria, um bate-perna, braço, coração saindo pela boca,
dezenas de surfistas se embolando, remando na mesma onda e
torcendo pra chegar inteiro à areia, sem ter tomado nenhuma
dentada do animal", diz Adrian.
A verdade
No relato, percebe-se que deve ter ocorrido um acidente de
percurso. O tubarão devia estar concentrado tentando capturar um
peixe na zona de surf e não percebeu a aproximação da prancha. A
pancada deve tê-lo assustado tanto quanto ao surfista. Se o
tubarão estivesse realmente interessado no surfista, teria
atacado seus membros imersos na água ou até mesmo, como já
aconteceu, mordido também a prancha. Nenhuma espécie de tubarão
"tenta" atacar um surfista dando apenas uma trombada na prancha
de surf.
Vale a pena ler o que disse o surfista Rodrigo Maia Nogueira: "É
importante entender que não houve ataque. Conheço as pessoas que
estavam lá no momento e viram tudo. O animal estava nadando e
apenas bateu no fundo da prancha, levando provavelmente um baita
susto, da mesma forma que o surfista levou (...) não houve
tentativa de ataque. Os relatos são típicos de quem estava
assustado no momento, mas se esqueceu de citar que alguns
surfistas que estavam um pouco afastados (uns 10m pelo menos) e
viram como tudo aconteceu por outro ângulo, nem saíram da água e
continuaram a surfar, mesmo depois do alvoroço que os outros
surfistas fizeram para sair da água."
Não há mudanças no meio ambiente e nem fenômenos atípicos que
possam ser utilizados como argumento para um pretenso aumento no
aparecimento de tubarões nas praias baianas e, mais
especificamente, na praia do Forte. No litoral baiano sempre foi
e continua sendo muito comum a ocorrência de diversas espécies
de tubarões, mas só há cinco registros de ataque de tubarões
entre 1920 e 2006. Por isso, não há nenhuma razão plausível para
alertas sobre perigo de ataque.