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Tubarões em todas as direções

Por Marco Monteiro

É difícil encontrar um surfista local da Boca do Rio (Praia do Corsário), Salvador, Bahia, que nunca tenha passado por ele um cardume imenso de peixes pulando como se estivessem fugindo do "capeta".

Enquanto na superfície a movimentação e visível a ponto dos surfistas ficarem até com receio do balé dos peixes, ninguém sabe de fato o que está acontecendo abaixo dela. Nenhum peixe grande aparece, raros são os que se aventuram a ir até a superfície, mas geralmente, são tubarões caçando próximo a arrebentação.

Segundo depoimento de alguns surfistas mais sortudos da Praia do Corsário, sempre aparece um vulto negro sob a água quando os peixes ficam alvoroçados, o que sugere que sejam tubarões em busca de alimento.

Em todo o mundo são conhecidas cerca de 380 espécies (oitenta no Brasil), cujos tamanhos podem variar de 15 centímetros a 18 metros de comprimento, sendo que em torno de trinta espécies já provocaram, comprovadamente, acidentes com o homem.

Destas, os registros demonstram que somente doze, no litoral brasileiro, são perigosas e realmente podem atacar banhistas, surfistas, pescadores e mergulhadores. 

Basicamente marinhos e pelágicos, habitam as águas costeiras e oceânicas, da superfície ao fundo, em praticamente todos os oceanos e mares.

Possuem hábitos alimentares carnívoros, tendo uma dieta regular de peixes, crustáceos, lulas, polvos, tartarugas, raias e outros cações.

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Principais espécies que ocorrem no Brasil:

  • Tubarão azul (Prionace glauca) - É comum em toda a costa brasileira. Seu tamanho chega a 3,8 metros. É uma espécie oceânica, alimentando-se preferencialmente de lulas.

  • Tubarão baleia (Rhiniodon typus) - Comum no Norte e Nordeste. Pode medir 18 metros de comprimento. É o maior tubarão que existe. É uma espécie, oceânica, alimentando-se apenas de plâncton. Apesar do tamanho, é inofensivo ao homem.

  • Tubarão cabeça-chata (Carcharhinus leucas) - Comum em toda a costa brasileira. Mede até 3,5 metros, vive próximo às zonas de estuário. Há registros desses animais no rio Amazonas.

  • Tubarão galha branca oceânico (Carcharhinus maou) - Assim como o tubarão azul, é comum em todo o Brasil. Atinge 4 metros de comprimento, alimentando-se de pequenos peixes de alto-mar. Considerado um tubarão muito agressivo.

  • Tubarão galha preta (Carcharhinus limbatus) - Comum no Norte e Nordeste do Brasil. Mede 2,5 metros. Vive em águas temperadas tropicais. Alimenta-se de peixes pequenos e de invertebrados.

  • Tubarão lixa (Ginglymostoma cirratum) - Ocorre em toda a costa brasileira. Chega a medir 4,3 metros. Vive próximo ao fundo do mar, alimentando-se de invertebrados. É uma espécie considerada inofensiva ao homem. Não possui dentes afiados como a maioria dos tubarões.

  • Tubarão mako-cavala (Isurus oxyrinchus) - Ocorre em toda a costa brasileira. Mede 4 metros de comprimento, possui excelente habilidade para nadar, é uma espécie oceânica, alimentando-se de peixes de alto-mar e de outros tubarões.

  • Tubarão martelo (Sphyrna lewini) - É comum em toda a costa brasileira. Atinge 4,2 metros de comprimento. Sua cabeça possui formato curioso que lhe dá o nome de martelo: são duas laterais proeminentes na cabeça, onde localiza seus olhos. Alimenta-se de animais escondidos na areia do fundo do mar. É considerada uma espécie semi-oceânica.

  • Tubarão raposa (Alopias vulpinus) - É uma espécie comum nas águas tropicais do litoral brasileiro. Chega a medir 5,50 metros. Possui uma cauda curiosa, que mede o mesmo tamanho do seu corpo. Alimenta-se de outros peixes comuns em alto-mar.

  • Tubarão tigre (Galeocerdo cuvier) - Ocorre em toda a costa brasileira. Pode atinguir 9 metros. Vive em águas tropicais, alimentando-se tanto de peixes quanto de invertebrados. É considerada uma espécie agressiva ao homem.


Algumas regras para banhistas evitarem acidentes com tubarões:
 

  • Ficar sempre em grupo. Os tubarões normalmente atacam banhistas solitários

  • Não se afastar demasiadamente da praia, onde estará isolado e longe de assistência

  • Não avançar para águas muito profundas, não ultrapassando, de preferência, o ponto onde alcança pé

  • Evitar nadar de manhã cedo e ao final da tarde, quando os tubarões são mais ativos

  • Não entrar na água, se estiver sangrando de um ferimento

  • Não usar jóias brilhantes ao entrar na água

  • Não bater constantemente na água e evitar banhar-se com pequenos animais

  • Cuidados extras são necessários, quando a água estiver muito suja

Fonte: UFRPE Fonte (Tubarões): João Lins. - Attack!! Editora Universitária UFPE.110 p. 2000. Colaboração do Dr. Otto Bismarck (Especialista em tubarões e professor de Biologia Marinha da Universidade Santa Cecília, Santos - SP)

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